Porto Velho RO - A decisão do governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (União Brasil), de não disputar nenhum cargo eletivo nas eleições de 2026 repercutiu fortemente nos bastidores da política estadual. O anúncio foi feito na noite desta segunda-feira (12), durante entrevista ao programa Sic News, apresentado pelo jornalista e radialista Everton Leoni.
Um dos principais focos de desgaste é a área da saúde. Desde o primeiro mandato, o setor enfrenta problemas estruturais, filas, falta de profissionais e dificuldades na gestão hospitalar. Promessas feitas durante a campanha de reeleição, segundo opositores, não se concretizaram, aprofundando a insatisfação popular e reforçando o discurso de colapso do sistema público de saúde.
Além disso, setores da direita rondoniense criticam a permanência de lideranças ligadas ao campo político da esquerda e do PT dentro da estrutura do governo. Para esses grupos, tais nomes teriam sido utilizados para confrontos políticos e ataques a adversários conservadores, o que teria enfraquecido a identidade ideológica do governador junto à sua base original.
Além do desgaste político acumulado ao longo da gestão, a saída de Rocha do cenário eleitoral escancara um ponto decisivo: a impossibilidade legal de candidaturas de seus familiares diretos enquanto ele permanece no cargo de governador.
De acordo com a Lei Complementar nº 64/1990, são inelegíveis, no território de jurisdição do titular do Poder Executivo, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou por afinidade até o segundo grau, salvo exceções que não se aplicam ao caso. Com isso, Luana Rocha, esposa do governador, não poderá disputar o cargo de deputada federal, assim como Sandro Ricardo Rocha, seu irmão, fica impedido de concorrer a deputado estadual, independentemente de ocupar atualmente o cargo de diretor-geral do Detran-RO.
A legislação busca evitar o uso da máquina pública para favorecer projetos eleitorais familiares, prática historicamente combatida pelo ordenamento jurídico eleitoral brasileiro.
A desistência de Marcos Rocha também ocorre em meio a fortes críticas à sua gestão, frequentemente classificada por opositores como fraca e sem protagonismo. Analistas apontam que o governador teria exercido um papel mais decorativo, com decisões estratégicas concentradas em grupos internos e aliados políticos, alimentando a percepção de que atuou como um “fantoche” dentro do próprio governo.
O setor da saúde é apontado como o maior símbolo do fracasso administrativo. Hospitais superlotados, falta de insumos, filas intermináveis e promessas não cumpridas desde a campanha de reeleição reforçam a avaliação de que o sistema entrou em colapso. Para críticos, compromissos assumidos com a população foram tratados como mero discurso eleitoral.
Outro ponto de atrito com sua base política foi a manutenção de lideranças ligadas ao campo da esquerda e do PT dentro da estrutura governamental. Setores conservadores afirmam que esses quadros foram usados para atacar políticos da direita, o que teria minado a confiança do eleitorado que originalmente sustentou Marcos Rocha no poder.
Sem possibilidade de disputar o Senado, impedido de construir uma sucessão familiar e politicamente isolado, Marcos Rocha encerra seu ciclo político deixando um governo marcado por desgaste, promessas frustradas e ausência de legado consistente. O cenário de 2026, assim, se abre para novas forças políticas, enquanto o grupo do atual governador caminha para a irrelevância eleitoral.
Fonte: Site eletrônico Portal364
