
Porto Velho RO - A reação entusiasmada de lideranças bolsonaristas, entre elas o governador Ratinho Junior, diante da possibilidade de uma intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, tem provocado forte repercussão no cenário político brasileiro. Para críticos, a postura não guarda relação com a defesa da democracia, mas expõe um alinhamento ideológico que flerta com a quebra da soberania de países da América do Sul — inclusive do próprio Brasil.
Analistas políticos e setores da sociedade civil avaliam que o discurso adotado por representantes da extrema-direita revela mais do que uma crítica ao regime venezuelano. Segundo essa visão, há um histórico recente de tentativas de internacionalizar conflitos internos, como ocorreu durante o governo Bolsonaro, quando aliados do ex-presidente defenderam sanções econômicas e medidas de pressão externa contra o Brasil.
Um dos episódios mais lembrados é a atuação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro no exterior. À época, ele articulou apoio político para medidas como o chamado “tarifaço” e a aplicação da Lei Magnitsky, instrumento usado pelos Estados Unidos para impor sanções a autoridades estrangeiras. A estratégia, no entanto, não prosperou e acabou sendo amplamente rejeitada pela sociedade brasileira, que viu nas ações uma ameaça direta à soberania nacional.
Para especialistas em relações internacionais, a comemoração de uma possível intervenção militar estrangeira em território sul-americano ignora os riscos geopolíticos e humanitários envolvidos. A Venezuela enfrenta uma crise profunda, mas qualquer escalada militar tende a ampliar a instabilidade regional, afetando diretamente países vizinhos, como o Brasil, seja por fluxos migratórios, impactos econômicos ou tensões diplomáticas.
“O discurso belicista não resolve crises políticas complexas. Pelo contrário, costuma agravar conflitos e enfraquecer mecanismos democráticos”, avaliam estudiosos do tema. Eles defendem que a saída para a situação venezuelana deve passar por negociações multilaterais, respeito ao direito internacional e fortalecimento de instituições regionais.
Diante desse cenário, a tentativa da oposição de extrema-direita de capitalizar politicamente a crise venezuelana tem sido classificada por críticos como oportunista e irresponsável. Para esses setores, ao invés de defender a democracia, esse tipo de postura acaba normalizando a ideia de intervenções externas como solução política — um precedente considerado perigoso para todo o continente.
A discussão reacende um debate central na política brasileira: até que ponto lideranças nacionais estão comprometidas com a soberania, a democracia e a estabilidade regional, especialmente em um momento de tensão crescente na América Latina.
Fonte Site eletrônico Portal364
