O xadrez de 2026: A decisão de Leo Moraes que pode definir o tabuleiro eleitoral em Rondônia
PORTO VELHO RO - Nos bastidores da política rondoniense, um nome ganhou status de “trunfo” para as eleições de 2026: Marcio Barreto, empresário do setor de turismo, presidente da ABAV/RO. Dono de uma das maiores redes de agências de viagem da região Norte, Marcio Barreto, que também é tio do prefeito, se tornou a peça mais disputada para compor as chapas ao governo do estado.
Enquanto os pré-candidatos ao Palácio Rio Madeira tentam costurar alianças, a definição de Leo Moraes sobre qual palanque apoiar — e, consequentemente, onde seu tio irá concorrer como vice — é tratada como o divisor de águas do primeiro turno. O desfecho dessa novela deve selar não apenas a aliança majoritária, mas também indicar quem terá força para forçar um segundo turno contra o atual prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves.
Os cenários em disputa
Atualmente, três forças políticas se articulam para o pleito. De um lado, o governador Marcos Rocha (PSD) trabalha para lançar seu sucessor, o prefeito de Cacoal, Adailton Furia. Do outro, o senador Marcos Rogério (PL), de Ji-Paraná, busca consolidar sua candidatura ao governo, tendo como principal cabo eleitoral no Legislativo o deputado federal Dr. Fernando Máximo, grande apoiador de Leo Moraes na eleição municipal de 2024.
A decisão de Leo Moraes — e o destino político de Marcio Barreto — se desenha em três cenários principais, que alteram completamente a correlação de forças:
Cenário 1: Leo Moraes apoia Marcos Rogério (PL)
Se o prefeito da capital decidir embarcar com o senador, ele leva consigo o maior colégio eleitoral do estado (Porto Velho) e a força da direita rondoniense. Neste caso, Marcio Barreto seria o vice na chapa de Marcos Rogério.
O efeito no tabuleiro: Hildon Chaves, que já tem seu vice definido (deputado estadual Cirone Deiro), entraria no segundo turno contra Marcos Rogério. Analistas apontam que, neste cenário, Hildon parte na frente. A matemática eleitoral considera que os 30% do eleitorado identificado com a esquerda no estado, que naturalmente rejeitam o nome de Marcos Rogério (associado ao bolsonarismo mais radical), migrariam para Hildon Chaves no segundo turno, consolidando a vitória do atual prefeito da capital.
Cenário 2: Leo Moraes apoia Adailton Furia (PSD)
Caso o prefeito opte por indicar seu tio como vice na chapa da situação (PSD), o cenário se inverte. A aliança uniria a máquina pública estadual (governo Marcos Rocha) com a força eleitoral da capital (Leo Moraes).
O efeito no tabuleiro: Com esse apoio, Adailton Furia se tornaria o favorito para avançar ao segundo turno contra Marcos Rogério. Na segunda fase da eleição, a lógica se repete, mas em favor de Furia. Os 30% de eleitores de esquerda, que não votariam em Marcos Rogério, seriam determinantes para eleger o candidato do PSD, consolidando Adailton Furia como o futuro governador.
Cenário 3: A indefinição e o benefício a Hildon Chaves
O cenário atual, de indefinição, já é visto como vantajoso para Hildon Chaves. Enquanto Furia e Marcos Rogério disputam o mesmo eleitorado e dependem do mesmo “curinga” (Marcio Barreto), Hildon já possui sua chapa completa e transita isolado, colhendo os frutos da fragmentação adversária.
Nos bastidores, a leitura é de que Hildon já se prepara para o segundo turno, aguardando apenas para saber qual dos dois oponentes (Furia ou Rogério) sobrará para enfrentá-lo.
O fator histórico e as rusgas familiares
A decisão de Leo Moraes é ainda mais complexa devido à história recente. O prefeito da capital já foi diretor do Detran no governo de Marcos Rocha, mantendo relações institucionais com o atual governador. No entanto, a relação com o senador Marcos Rogério é marcada por um passado turbulento. Os dois já protagonizaram um desentendimento que culminou em vias de fato, um episódio envolvendo laços familiares que, até hoje, é lembrado como um dos maiores atritos pessoais da política local.
Essa rusga histórica pesa contra uma aliança entre Leo e Marcos Rogério, mas a política é feita de conveniências. Do outro lado, a necessidade de Marcos Rocha e Adailton Furia de terem a capital no palanque pode forçar um entendimento que beneficie o sobrinho do empresário Marcio Barreto.
Tendência: O peso do “não voto” a Marcos Rogério
Independentemente do desfecho, os analistas políticos que acompanham o cenário traçado pela reportagem apontam um dado quase incontornável: a rejeição ao senador Marcos Rogério entre os 30% de eleitores identificados com a esquerda é um fator que, no segundo turno, funciona como um “antídoto” para seus adversários.
Seja contra Hildon Chaves ou contra Adailton Furia, a tendência é que Marcos Rogério enfrente um segundo turno com os votos da esquerda concentrados no oponente. Por isso, a percepção nos bastidores é que, no desenho atual, a chance de Marcos Rogério se tornar governador é considerada quase nula em um eventual segundo turno.
Conclusão
A definição do Podemos (partido de Leo Moraes) sobre o destino de Marcio Barreto será o evento catalisador das eleições de 2026. Se Leo Moraes optar por Adailton Furia, a aliança entre capital e estado cria um superpolo capaz de derrotar Marcos Rogério ainda no primeiro turno ou com folga no segundo. Se optar por Marcos Rogério, o prefeito fortalece o senador, mas pavimenta o caminho para que Hildon Chaves herde os votos da esquerda e da centro-direita moderada, consolidando-se como o favorito ao governo.
Até lá, o empresário Marcio Barreto segue como o “noivo” mais disputado da política rondoniense, enquanto Leo Moraes carrega o ônus e o bônus de decidir o rumo da sucessão estadual.
Fonte: Redação Site Eletrônico Portal364
