PORTO VELHO RO - A decisão do governador Marcos Rocha (PSD) de levar seu segundo mandato até o último dia, ignorando os prazos e as brechas legais, desencadeou um efeito dominó que a análise jurídica e política já define como o "extermínio da família Rocha da vida pública" em Rondônia.
Ao sacramentar sua permanência no cargo sem viabilizar a transmissão da faixa para seu círculo familiar, o chefe do Executivo estadual não apenas inviabilizou as candidaturas da esposa e do irmão, como também abriu uma crise de sucessão que tende a varrer seu clã do mapa político do estado.
Permanência e a armadilha jurídica
O cenário de autodestruição política começou a ser desenhado quando Rocha optou por não renunciar ao cargo dentro do prazo estipulado pelo calendário eleitoral (4 de abril). A consequência imediata, conforme alertam especialistas, é o acionamento automático da inelegibilidade reflexa.
A regra, prevista no artigo 14, § 7º, da Constituição Federal e consolidada na Súmula 6 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é clara: são inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins até o segundo grau. A única exceção, segundo a Súmula 6 do TSE, seria se o governador, sendo reelegível, tivesse falecido, renunciado ou se afastado até seis meses antes do pleito.
Candidaturas inviabilizadas: Luana e Sandro

Com Marcos Rocha no comando do Palácio Rio Madeira, a legislação eleitoral cria um bloqueio quase intransponível para os projetos da primeira-dama e do irmão do governador.
A eficácia imediata da inelegibilidade reflexa, conforme reportado pela imprensa local, tem impacto direto na articulação eleitoral do entorno do governador. As tentativas de articular as candidaturas de Luana Rocha e Sandro Rocha encontram na permanência do governador um obstáculo jurídico de difícil superação, uma vez que a legislação proíbe que parentes diretos de mandatários do Executivo participem de uma eleição na mesma jurisdição.
Sem sucessor e isolado: O extermínio do Clã
A grande aposta do clã Rocha era emplacar Luana Rocha na Câmara dos Deputados e Sandro Rocha na Assembleia Legislativa (ALERO), garantindo assim uma base de poder e influência para os próximos anos. Com o bloqueio legal, essa estratégia desmorona. Sem conseguir emplacar seus herdeiros diretos, Marcos Rocha enfrentará 2027 sem representação política própria nos parlamentos federal e estadual, além de não ter controle sobre a indicação de seu sucessor no executivo. Este cenário configura o que analistas definem como o "extermínio" da influência da família nas decisões do estado.
RESUMINIO: O fim de uma era
A opção de Marcos Rocha em permanecer até o último minuto no cargo, ignorando as brechas legais para viabilizar seus familiares, mostrou-se uma decisão com consequências fatais para o projeto de poder de seu grupo. Ao "travar" a máquina e barrar os candidatos naturais da família, o governador não apenas inviabilizou a candidatura de sua esposa e irmão, mas selou o destino de seu clã. Rondônia caminha para um redesenho completo de suas forças políticas em 2027, onde a marca "Rocha" corre o sério risco de ser apenas uma lembrança do passado.
Redação Site Eletrônico Portal364
