Porto Velho - RO - 28 de abril de 2026 - Quem vive às margens do rio Madeira sabe que o descarte do lixo sempre foi um pesadelo logístico e sanitário. Por anos, moradores dos distritos como Calama, São Carlos e Nova Mutum Paraná conviveram com a falta de coleta, a prática prejudicial da queima de resíduos e o acúmulo de entulho. No entanto, uma nova página na história da limpeza urbana da capital está sendo escrita.
Desde que assumiu o serviço emergencial no lugar do consórcio Eco PVH, no último dia 23 de abril, a Sistemma Serviços Urbanos tem mostrado que é possível reverter um cenário caótico com planejamento, mão de obra qualificada e, acima de tudo, respeito ao contribuinte.
Nossa equipe acompanhou os trabalhos de perto e teve acesso exclusivo aos dados de geolocalização e operação da empresa. A constatação é a de que, pela primeira vez, as comunidades mais distantes estão sendo tratadas com a seriedade que merecem.
O passado do abandono
O cenário encontrado pela nova concessionária era desolador. O antigo consórcio acumulava quase 5 mil reclamações formais, além de vistorias da prefeitura apontando descumprimento contratual.
Relatos de moradores indicavam que o Baixo Madeira chegou a ficar mais de quatro dias sem qualquer tipo de atendimento, resultando em acúmulo de dejetos e riscos de surtos de doenças. A vereadora Sofia Andrade, em discurso recente na Câmara, classificou a situação como "caótica", especialmente em locais como Extrema e Fortaleza do Abunã .
Exclusivo: A Sistemma em ação
Enquanto o passado foi de descaso, o presente é de ação. Utilizando o sistema de monitoramento em tempo real, o Portal 364 teve acesso às movimentações da frota na manhã de hoje (28 de abril).
Os dados revelam uma operação precisa e dedicada nos distritos:
· 06:46 da manhã: A coleta começou cedo. Um veículo foi registrado na Rua Jenipapo, Nova Mutum Paraná. Com uma velocidade inicial de 0.0km/h (parado para coleta ou alinhamento de rota), o equipamento marcava 262° Oeste, em uma altitude de 118.2 metros. Este foi o marco inicial da operação (Índice 69).
· 06:50 da manhã: A eficiência se confirmou. Poucos minutos depois, a equipe já estava na Avenida Mutum-Paraná, nº 10. Movendo-se a 1.1km/h, o caminhão trabalhou na região com direção 186° Sul, garantindo a passagem pela via principal (Índice 70).
· 06:57 da manhã: A finalização do trecho foi registrada novamente na Rua Jenipapo, desta vez com uma leve variação de posição e altitude de 115.8 metros. O serviço foi tão eficiente que a equipe seguiu para o próximo trajeto a 0.4km/h.
Dia Anterior (27/04): A preparação para o mutirão já vinha acontecendo. No dia anterior, imagens de satélite e registros da empresa indicavam a movimentação de veículos na região de Jacamim e Taracas, áreas historicamente esquecidas pelos serviços públicos.
Investimento pesado e tecnologia verde
A ação emergencial é sustentada por um contrato robusto. A chegada da Sistemma faz parte de uma reestruturação que prevê investimentos bilionários na cidade. Dados da Prefeitura de Porto Velho indicam que o plano de Parceria Público-Privada (PPP) para o setor é de R$ 180 milhões, visando não só a coleta, mas o tratamento e a transformação dos resíduos.
Apenas na fase inicial de transição, a Sistemma já colocou na rua 20 caminhões compactadores e contratou mais de 200 funcionários, com a meta de chegar a 247. Diferente da gestão anterior, há uma preocupação explícita com a coleta seletiva e com os resíduos de saúde, que antes muitas vezes acabavam misturados ao lixo comum, colocando em risco as comunidades ribeirinhas.
“A situação era crítica. Encontramos ruas cheias e os caminhões da outra empresa parados. A nossa ordem é clara: zerar o passivo ambiental e mostrar para a população de Porto Velho que serviço de qualidade é possível.”
Engajamento e transparência
Para o Portal 364, a mudança representa um marco no jornalismo local. A utilização de dados de geolocalização como os que mostramos hoje (Nova Mutum Paraná) prova que o serviço está, de fato, chegando onde antes não chegava.
A Prefeitura de Porto Velho também tem atuado em conjunto, utilizando ferramentas como o "Limpômetro" para medir o avanço das ações. Dados oficiais apontam que, entre 2025 e 2026, já foram retiradas 642 toneladas de resíduos irregulares da zona rural. A região de Calama, por exemplo, já teve 55 toneladas de lixo removidas nos últimos meses, limpando igarapés e prevenindo a proliferação de insetos.
Um novo futuro para Porto Velho
A saída do consórcio anterior e a entrada firme da Sistemma simbolizam o fim da "lei do menor esforço" nos serviços básicos de Porto Velho.
A população, especialmente a do Baixo Madeira, já respira novos ares. Os dias em que o lixo se acumulava nas esquinas ou era incinerado a céu aberto, poluindo o ar que se respira, estão com os dias contados.
A Sistemma chega para estabilizar o serviço até que um novo certame licitatório definitivo seja realizado. Enquanto isso, o cronograma já está sendo reorganizado, e a recomendação para os moradores é que colaborem, separando os resíduos e respeitando os dias de coleta.
Porto Velho prova que, com gestão séria e transparência, é possível transformar o caos em exemplo.
Da Redação | Portal 364
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