O brilho do ônibus novo mascara a falência da gestão municipal: enquanto o marketing celebra a entrega, o cidadão padece na estrada rumo à dependência de Porto Velho.
Por: Redação Portal 364

PORTO VELHO RO - Em tempos de calendário eleitoral, a "máquina" ganha contornos de benevolência. O recente anúncio da prefeitura de Ji-Paraná sobre a entrega de um novo ônibus para o Tratamento Fora do Domicílio (TFD) foi celebrado como um marco de gestão. Mas, ao olharmos além do verniz das fotos oficiais, o que encontramos é uma realidade que deveria causar indignação: a oficialização da incompetência estrutural.
A estratégia da "terceirização do problema"
O nome técnico é TFD, mas a prática cotidiana nas ruas e corredores de hospitais já batizou o modelo: "Ambulância-Terapia". Em vez de investir na descentralização da saúde, na capacitação de especialistas e na estruturação de uma rede municipal que atenda às demandas básicas em Ji-Paraná, a administração opta pelo caminho mais fácil — e mais rentável politicamente.
Colocar o paciente na estrada, muitas vezes em viagens exaustivas, é a forma que o gestor encontra para "empurrar" o problema para fora dos limites do município. O problema não é resolvido, ele é apenas transportado. O paciente deixa de ser uma responsabilidade da gestão local e passa a ser uma estatística na fila de espera da capital.
O marketing que custa caro
É fundamental que o eleitor questione: por que aplaudir a "solução" que apenas perpetua a falha? Investir em transporte é necessário enquanto a rede local é deficiente, mas transformá-lo em bandeira política é o ápice do cinismo. É o uso do sofrimento alheio como vitrine de campanha.
Enquanto a prefeitura se gaba da parceria com deputados para a compra do veículo, o sistema de saúde de Porto Velho — que já opera no limite — é pressionado ainda mais. A conta dessa desorganização quem paga é o cidadão, que perde tempo, saúde e dignidade em longas viagens, enquanto o gestor colhe os louros de uma "entrega" que, na verdade, só escancara sua ineficiência.
Fique atento: O alerta não é só sobre saúde
Em pleno ano de 2026, com o pleito se aproximando, essa é a receita clássica do marketing eleitoreiro:
- Focar na entrega física: É fácil mostrar um ônibus novo, um banner ou uma obra. É difícil mostrar um sistema de saúde eficiente que funciona silenciosamente.
- Transferir a responsabilidade: Tirar o problema da frente para que ele não contamine os índices de aprovação local.
- Vincular recursos: Usar emendas parlamentares como escudo político para evitar questionamentos sobre a falta de gestão própria.
Não se deixe levar. O conforto de um assento novo não cura a falta de um especialista. A política séria não se faz com "ambulância-terapia", mas com planejamento e gestão responsável, onde o paciente é a prioridade, e não o protagonista de uma peça publicitária.
O Portal 364 continuará monitorando as movimentações que definem o futuro de Rondônia. A saúde do nosso estado merece mais do que paliativos sobre rodas.