
PORTO VELHO, RO — A rede municipal de ensino de Cacoal vive um momento de forte tensão política e administrativa. Profissionais da educação, representados pelo sindicato da categoria (SINSEMUC), iniciaram nesta semana uma paralisação de alerta de 48 horas. O movimento é uma reação à ausência de propostas da Prefeitura de Cacoal sobre o reajuste do piso salarial de 2026.
O impasse nas negociações
A mobilização foi deflagrada após a sessão da Câmara Municipal de 16 de junho. Havia a expectativa de que o Executivo apresentasse um projeto de lei ou uma contraproposta oficial para o reajuste do piso. Contudo, diante da falta de qualquer documento ou sinalização de acordo por parte da gestão do prefeito Tony Pablo, a categoria decidiu cruzar os braços.
Para representantes sindicais, a ausência de interlocução entre a Procuradoria-Geral do Município e os profissionais da educação tornou a paralisação a única alternativa para reivindicar os direitos da classe.
Polêmica sobre a convocação de alunos
Em uma tentativa de manter as unidades escolares funcionando, o prefeito Tony Pablo convocou os pais a levarem seus filhos às escolas durante os dias de paralisação. A estratégia, no entanto, foi alvo de duras críticas.
O ponto mais controverso da medida foi a promessa de oferta de merenda escolar, algo que, segundo relatos de pais e servidores, frequentemente falta ou é insuficiente nas unidades de ensino. A manobra foi interpretada como uma tentativa de "esvaziar" o impacto da greve, utilizando a alimentação escolar como instrumento de pressão política.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Gimenez Fritz, manifestou preocupação com a medida. Em declaração pública, o parlamentar classificou a convocação de crianças para escolas sem professores como uma atitude de "irresponsabilidade" com a segurança e a integridade física dos alunos, além de criticar a promessa de merenda em um momento de crise.
Apoio do Legislativo e futuro do movimento
A mobilização ganhou força com o apoio de vereadores, que acompanharam os professores em uma marcha até a Secretaria Municipal de Educação (SEMED). Durante o ato, a categoria reforçou a unidade em torno da pauta: o cumprimento do piso salarial nacional, que, segundo o Legislativo, possui recursos específicos para tal finalidade.
Com o encerramento do primeiro dia de protesto, o cenário aponta para um desgaste entre o Poder Executivo e a classe educadora. Caso a Prefeitura de Cacoal não apresente um cronograma concreto para o pagamento do reajuste nas próximas horas, o sindicato não descarta a possibilidade de uma greve geral por tempo indeterminado.
Esta reportagem foi estruturada para informar a população sobre os desdobramentos da paralisação e os principais pontos de divergência entre a gestão municipal e os profissionais de educação de Cacoal.