REUNIÃO DE EMERGÊNCIA: Governador impõe Luana Rocha, e Fúria reage indicando Expedito Júnior; acordo de "poder dividido" expõe crise total no PSD

Com Laerte Gomes como testemunha de luxo, encontro tenso definiu que primeira-dama coordenará a "turma do governo" enquanto Expedito comanda a estrutura geral da campanha; bastidores apontam clima de guerra fria

Porto Velho, RO – A pré-campanha de Adaílton Fúria (PSD) ao governo de Rondônia viveu nas últimas horas o seu momento mais crítico. Uma reunião de emergência convocada pelo governador Marcos Rocha (PSD) , com mediação do ex-senador Expedito Júnior e do deputado estadual Laerte Gomes (PSD), definiu os rumos da aliança que já nasceu combalida. Após um embate de forças, ficou estabelecido um acordo de poder dividido que mais parece um cessar-fogo do que uma parceria sólida: Luana Rocha coordena o "povo do governo", enquanto Expedito Júnior comanda a estrutura geral da campanha como coordenador-geral indicado por Fúria.

A reunião, descrita por fontes como "tensa" e "cercada de desconfiança mútua", ocorreu no Palácio do Governo e teve como pano de fundo o ultimato dado por Marcos Rocha na última semana. O governador, sentindo-se traído pelas tentativas de Fúria de se descolar de sua imagem rejeitada, exigiu a participação ativa da primeira-dama na coordenação da campanha como condição para manter a máquina estadual à disposição do pré-candidato.

A presença de Laerte Gomes

A inclusão do deputado Laerte Gomes na reunião não foi por acaso. Aliado histórico de Marcos Rocha e com trânsito na Assembleia Legislativa, Laerte atuou como uma espécie de "testemunha" do acordo, garantindo que nenhuma das partes pudesse, no futuro, distorcer o que foi pactuado. Nos bastidores, sua presença é interpretada como um movimento do governador para ter um "fiador" político dentro do Legislativo caso Fúria tente descumprir o combinado.

O Acordo de Poder Dividido

A costura final foi liderada por Expedito Júnior, que atuou como bombeiro político para evitar a implosão do projeto. Pelo acordo firmado:

Expedito Júnior foi indicado por Fúria como Coordenador-Geral da Campanha, comandando a estratégia, o marketing, as alianças e a articulação política de maneira ampla.

Luana Rocha assume formalmente a Coordenação do "Povo do Governo" — uma espécie de "coordenação paralela" responsável por mobilizar a estrutura estadual, os secretários, os diretores de autarquias e os aliados fiéis ao governador.

Na prática, o acordo escancara uma relação de prisioneiros. Luana não terá ingerência sobre as decisões estratégicas de Fúria, mas terá total autoridade sobre a máquina pública. Isso significa que, se Fúria tentar novamente se distanciar de Marcos Rocha, a primeira-dama pode simplesmente orientar a "turma do governo" a esvaziar a campanha, faltar a atos e boicotar mobilizações.

"É um casamento forçado. Expedito segura o guarda-chuva da campanha, e Luana segura o guarda-chuva dos cabos eleitorais do Estado. Se um resolver abrir o guarda-chuva sozinho, o outro molha todo mundo", resumiu um analista político ouvido pela reportagem.

A Exposição de Marcos Rocha

Durante a reunião, testemunhas relatam que o governador Marcos Rocha fez questão de expor nominalmente a participação de Luana, deixando claro que não se trata de um papel figurativo. "Ela estará em todas as reuniões, em todas as decisões que envolvam secretários e diretores. Não aceito ser tratado como fantasma", teria dito o governador.

A fala foi interpretada como uma resposta direta às declarações recentes de Fúria, que havia dito em entrevistas que "não é justo o governador deixar o Governo e suas obrigações e tomar conta da campanha". Agora, o governador não tomará conta — mas sua mulher, sim. E com a benção de Laerte Gomes ao lado, o recado foi dado em alto e bom som.

A Posição de Fúria: Vitória de Pirro?

À primeira vista, Fúria conseguiu o que queria: indicar Expedito Júnior como seu coordenador-geral, garantindo que um nome de sua confiança comande o coração da campanha. No entanto, a vitória é amarga.

O ex-prefeito segue refém da máquina estadual para emplacar seus aliados — como Márcia Antunes de Oliveira, Daisy Bruna Freitas de Santana e Silvio de Jesus Machado, já nomeados no governo —, mas agora terá que conviver com uma "sombra" diária na forma de Luana Rocha.

Nos bastidores, a avaliação é de que Marcos Rocha saiu fortalecido do embate. Ele não cedeu à pressão de Fúria para ficar distante, pelo contrário: plantou uma "sentinela" dentro da campanha, garantindo que seu projeto político — e sua reeleição indireta — não será enterrado sem luta.

Cenário: Guerra Fria até o Fim

O acordo costurado por Expedito Júnior e homologado com a presença de Laerte Gomes evitou o rompimento imediato, mas não resolveu a crise de fundo. A relação entre as duas alas do PSD segue pautada pela desconfiança. Enquanto Fúria tenta, a todo custo, se apresentar ao eleitor como uma alternativa ao governo Marcos Rocha, o governador se agarra à presença de Luana para lembrar, dia após dia, de quem realmente manda no Estado.

A população, cansada da alta rejeição do atual governo nas áreas de Saúde, Segurança e Infraestrutura, observa esse toma lá dá cá com desconfiança. Resta saber se o eleitor comprará a ideia de uma campanha dividida entre dois comandos — ou se o "terremoto" ainda está por vir.

Fonte Redaçao

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