Ao acompanhar quase um século de transformações em Porto Velho, Dona Maria do Rosário, de 99 anos, simboliza a força, o acolhimento e a memória das avós que ajudaram a construir e povoar a nossa capital com amor Neste Dia dos Avós, a trajetória de Dona Maria simboliza a de milhares de pioneiros e pioneiras que ergueram mais do que estruturas (Fotos: Arquivo da família)
Existe um lugar onde quase toda família encontra abrigo: o colo dos avós.
Porto Velho, RO - Em Porto Velho, esse abrigo ganha o nome e a história de Maria do Rosário Bentes. Quando a jovem desembarcou no porto da capital, vinda de Parintins (AM) no ano de 1947, Porto Velho ainda dava seus primeiros passos como capital do recém-criado Território Federal do Guaporé.
Aos 20 anos de idade, ela encontrou uma cidade pioneira: o apito da Maria Fumaça ecoava às margens do Rio Madeira, o transporte dependia do balanço das águas do rio e as ruas guardavam a poeira e o mormaço da floresta.
Quase oito décadas depois, Dona Maria viu aquele povoado se transformar na metrópole que conhecemos hoje. Ela acompanhou o nascimento dos primeiros bairros, a chegada do asfalto, a construção das pontes e a expansão urbana que mudou o mapa da capital.
E, enquanto Porto Velho escrevia sua história nas páginas do tempo, Dona Maria escrevia a sua no coração da família.
Foi na capital que ela fincou raízes profundas. Como lavadeira, trabalhou duro para ajudar no sustento dos sete filhos. Enfrentou as marcas do tempo, a dor da perda de uma filha para a malária, que na época era professora no ex-território, além de se despedir de dois genros queridíssimos. Ela superou uma infecção grave e atravessou a pandemia com a bravura de quem aprendeu a nunca desistir.
Neste Dia dos Avós, a trajetória de Dona Maria simboliza a de milhares de pioneiros e pioneiras que ergueram mais do que estruturas: ajudaram a moldar a própria identidade de Porto Velho.
"Quando cheguei aqui, era tudo muito diferente. Vi essa cidade crescer, mudar e se transformar ao longo dos anos. Foi em Porto Velho que construí minha família, vivi meus momentos mais bonitos e fiz amigos para a vida toda. Tenho um orgulho imenso de ver minha família crescendo junto com este lugar", relembra Dona Maria, com a memória viva e o sorriso fácil de quem completa 99 anos no próximo dia 18 de agosto.
O afeto em forma de mesa posta
Na casa de Dona Maria, o amor nunca precisou de discursos elaboradosNa casa de Dona Maria, o amor nunca precisou de discursos elaborados; ele sempre foi servido no prato. Ao longo de décadas, quem cruzava a sua porta, seja parente ou visita, era recebido com a mesma e inconfundível pergunta:
"Você já comeu?"
Se a resposta fosse negativa, não havia pressa que a impedisse de arranjar um jeito de servir algo. Para ela, acolher e alimentar sempre foram sinônimos de amor. Festa boa, inclusive, continua sendo aquela de casa cheia e que só termina tarde, onde ela faz questão de ser a última a se despedir da conversa.
Essa força afetuosa formou uma verdadeira "árvore da vida": hoje, são 13 netos, 18 bisnetos e dois tataranetos. Quatro gerações que trazem na pele e na alma o exemplo da matriarca.
Para os netos Eleilson e Elka Bentes, ver a avó forte e sorridente mesmo diante de todas as adversidades da vida é a maior lição de coragem que poderiam receber. Eleilson lembra com carinho que as maiores memórias não estão nas grandes datas, mas na generosidade do dia a dia:
"Minha avó sempre cuidou de todos nós. Ninguém saía da casa dela sem comer, sem conversar ou sem levar um abraço. Tudo o que a nossa família é hoje tem o exemplo que ela nos deu."
Já para a neta Érika Bentes, resumir quase um século de vida da matriarca cabe em um sentimento único e profundo:
"Descrever a minha avó, no auge dos seus 99 anos, é falar de uma mulher forte, de muitas histórias, medos, decepções e cansaços, mas, acima de tudo, de muito amor. É falar daquela mãe de sete filhos que ama a casa cheia. Falar da minha avó é falar de amor, mesmo aquele amor que nos abraça em cada visita e nos dá conselhos cheios de bênçãos. É um sentimento que vai morar em nós para sempre, com a única certeza de que o nosso amor será eterno."
As raízes de uma cidade
Prestes a soprar 99 velinhas, Dona Maria segue olhando Porto Velho passar por grandes transformaçõesPara o prefeito Léo Moraes, prestar essa homenagem no Dia dos Avós é reconhecer as fundações humanas que sustentam o município.
"Os avós são nossas raízes mais profundas. Eles preservam a nossa memória, transmitem valores fundamentais e constroem famílias fortes. A história de Dona Maria simboliza uma geração de ouro que escolheu Porto Velho para viver, trabalhar e deixar uma marca inestimável na nossa gente."
Porto Velho mudou. O progresso trouxe novas avenidas, o trânsito se intensificou e o perfil da cidade se renovou. Mas, no quintal e no acolhimento de Dona Maria, o tempo parece guardar o que a capital tem de melhor: a capacidade de abraçar.
Prestes a soprar 99 velinhas, Dona Maria segue olhando Porto Velho passar por grandes transformações. E, ao olhar para a sala cheia de filhos, netos, bisnetos e tataranetos, enxerga a sua maior e mais bonita obra.
Talvez os netos de Dona Maria tenham encontrado a definição mais bonita para resumir o papel dos avós em nossas vidas:
"Falar da minha avó é falar de amor."
Porque as cidades não são feitas apenas de concreto e asfalto. Elas são feitas de histórias, de afetos e de raízes. E Porto Velho é orgulhosamente feita de pessoas como Dona Maria.
Feliz Dia dos Avós para todos os portovelhenses!
Texto: Helen Paiva
Fonte: Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)