
Negociações em Brasília e Porto Velho colocam em rota de colisão a direção comandada por Baleia Rossi e o diretório estadual do MDB; projeto de reeleição de Confúcio Moura ao Senado depende de reviravolta em atas partidárias.
PORTO VELHO (RO) — As articulações políticas com vistas às eleições em Rondônia ganharam contornos de crise aguda e intensa disputa de poder nos bastidores. Informações de bastidor obtidas por esta reportagem revelam um cabo de guerra envolvendo a direção nacional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), liderada por Baleia Rossi, o Palácio do Planalto e as lideranças locais do partido no estado, tendo no centro do furacão o projeto de permanência e reeleição do senador Confúcio Moura.
O nó górdio da política rondoniense gira em torno de uma exigência de palanque cruzado costurada em âmbito federal para abrigar interesses da federação encabeçada pelo PT. Segundo relatos de conversas reservadas entre cúpulas partidárias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria entrado diretamente no circuito para assegurar o capital eleitoral de Confúcio Moura — bem posicionado nas pesquisas para o Senado. No entanto, a engenharia política exigida por Brasília impunha um preço alto ao diretório estadual do MDB: retirar a candidatura própria do partido ao governo do Estado, abrindo caminho para uma coligação formal com o PT e integrando o grupo político do ex-senador Acir Gurgacz. Em contrapartida, o PT nacional retiraria candidaturas concorrentes ao Senado para concentrar a força governista em torno de Confúcio.
O "Não" de Rondônia e a Ameaça de Intervenção
A ordem emanada de Brasília esbarrou, contudo, em forte resistência na capital rondoniense. O diretório regional do MDB respondeu de forma categórica à nacional: o partido tem candidatura própria ao governo já homologada em convenção, e a redação da ata não será alterada para sacrificar a cabeça de chapa majoritária.
Diante da negativa do diretório rondoniense em acatar a determinação de enfraquecer o palanque executivo local, a cúpula nacional — personificada na figura de Baleia Rossi — passou a pressionar o diretório estadual sob a ameaça iminente de intervenção partidária, cujo prazo-limite de resolução estaria estipulado até o dia 15. Com as peças do tabuleiro a prumo e o cronograma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avançando rapidamente, o risco de uma destituição sumária da executiva regional colocou os caciques locais em estado de alerta máximo.
O Fator Acir e os Descontentamentos à Esquerda
A tentativa de acomodação de forças também gerou fissuras na outra ponta da aliança pretendida. A entrada de Acir Gurgacz no arranjo político para somar musculatura ao grupo esbarra em ressalvas locais e restrições cruzadas entre correntes de esquerda e o centro tradicional, simbolizadas por impasses internos sobre nomes e composições de palanque — expressas na recusa de figuras locais a determinadas figuras de proa da aliança ("eu entro, mas sem o neto").
Com o prazo-limite se esgotando e a pressão de Brasília intensificando-se sobre o diretório do MDB em Rondônia, o cenário eleitoral permanece em aberto, oscilando entre o peso da disciplina partidária imposta pela Executiva Nacional e a rebeldia das bases locais que insistem em manter a autonomia do partido no estado.