Eleição de 2026 transforma o PL na maior força da Assembleia Legislativa, com sete deputados eleitos; resultado acompanha vitória de Marcos Rogério e forte desempenho de Flávio Bolsonaro no estado

PORTO VELHO — As urnas de 2026 produziram um dos cenários políticos mais expressivos da história recente de Rondônia. O Partido Liberal (PL), legenda associada ao bolsonarismo, tornou-se a maior força da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), com sete dos 24 deputados estaduais eleitos, enquanto Marcos Rogério venceu a disputa pelo Governo de Rondônia ainda no primeiro turno.
O resultado abre uma discussão que deverá dominar o debate político rondoniense nos próximos meses: a onda Bolsonaro voltou com força ao estado ou o que ocorreu foi a consolidação definitiva de um eleitorado conservador que já estava estruturado?
Os números apontam mais para a segunda hipótese.
A eleição de 2026 mostra que o bolsonarismo não desapareceu após a saída de Jair Bolsonaro da disputa presidencial. Ao contrário, conseguiu transferir parte significativa de sua identidade política para novos nomes e para diferentes níveis da eleição.
PL passa a comandar a maior bancada da Assembleia
Dos 24 deputados estaduais eleitos, sete pertencem ao PL. A legenda terá 29,17% das cadeiras da Assembleia Legislativa, uma vantagem expressiva sobre PSD e PRD, que elegeram três parlamentares cada.
A nova composição ficou assim:
PL — 7 deputados
PSD — 3
PRD — 3
Progressistas — 2
PT — 2
Novo — 2
Republicanos — 2
Avante — 2
Podemos — 1
A lista dos eleitos pelo PL inclui Nim Barroso, Delegado Lucas Torres, Jean Mendonça, Luizinho Goebel, Dra. Taíssa Sousa, Alan Queiroz e Wiveslando Neiva.
O crescimento é politicamente relevante porque o PL, que em 2022 tinha uma bancada muito menor, agora passa a ocupar quase um terço da Assembleia.
Laerte Gomes foi o mais votado, mas o PL dominou a eleição
O campeão individual de votos foi Laerte Gomes (PSD), com 32.241 votos.
Na sequência apareceu Nim Barroso (PL), com 29.662, seguido por Cássio Gois (PSD), com 28.988, e Delegado Lucas Torres (PL), com 28.231.
O desempenho mostra que a eleição não pode ser explicada exclusivamente pelo fator Bolsonaro.
A força pessoal de candidatos, a estrutura política regional, alianças municipais e a capacidade de mobilização continuam sendo determinantes.
Mas existe uma diferença importante: o PL conseguiu transformar a força nacional do bolsonarismo em uma bancada numericamente dominante na Assembleia.
O fenômeno Bolsonaro aparece com ainda mais força na eleição presidencial
A melhor explicação para o desempenho do PL talvez esteja fora da eleição proporcional.
Rondônia foi um dos estados onde Flávio Bolsonaro apresentou desempenho mais forte no primeiro turno de 2026. A disputa presidencial terminou com Flávio Bolsonaro e Lula avançando para o segundo turno, segundo o TRE-RO.
Esse ambiente eleitoral favoreceu diretamente candidaturas identificadas com o campo conservador.
O eleitor que chegou às urnas com uma decisão clara para presidente encontrou, na mesma legenda, um candidato ao governo e diversos candidatos ao Legislativo.
É o chamado voto casado, ainda que não seja possível afirmar que todos os eleitores tenham seguido exatamente essa lógica.
Marcos Rogério transforma a força do PL em vitória para o Governo
O dado mais significativo da eleição estadual foi a vitória de Marcos Rogério (PL) para o Governo de Rondônia.
O senador foi eleito no primeiro turno com 537.370 votos, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia.
A vitória produziu uma combinação política poderosa:
PL na Presidência — forte desempenho de Flávio Bolsonaro
PL no Governo — Marcos Rogério
PL no Senado — dois eleitos
PL na Assembleia — sete deputados
PL na Câmara Federal — três deputados eleitos
Na Câmara dos Deputados, Rondônia elegeu Lúcio Mosquini, Coronel Chrisóstomo e Sofia Andrade, todos pelo PL.
O resultado demonstra que o partido conseguiu criar uma espécie de efeito cascata eleitoral, levando sua marca para praticamente todos os níveis da disputa.
Não foi apenas Bolsonaro: houve uma mudança no comportamento do eleitor
Seria simplista afirmar que sete deputados do PL foram eleitos somente porque Bolsonaro continua forte.
A realidade é mais complexa.
O eleitor rondoniense combina diferentes fatores na hora de votar:
ideologia, rejeição ao PT, identificação com Bolsonaro, avaliação dos governos, vínculos municipais, influência de prefeitos, lideranças regionais e relação pessoal com os candidatos.
É justamente essa combinação que ajuda a explicar por que partidos como PSD, PRD, Progressistas, Republicanos, Novo e Avante também conquistaram espaço.
A nova Assembleia, portanto, não é uma Assembleia exclusivamente bolsonarista.
Ela é, sobretudo, uma Assembleia majoritariamente posicionada à direita ou ao centro-direita, com o PL ocupando a posição de maior força.
A esquerda mantém espaço, mas está distante da maioria
O PT conseguiu eleger dois deputados estaduais: Cláudia de Jesus e Fátima Cleide.
Cláudia de Jesus recebeu 24.383 votos e ficou entre as candidaturas mais votadas da eleição. Fátima Cleide também garantiu uma das 24 cadeiras.
O resultado mostra que o eleitorado de esquerda não desapareceu.
Porém, sua capacidade de transformar votos em força parlamentar ficou muito abaixo do campo conservador.
O PT terá apenas duas cadeiras, enquanto o PL terá sete.
Essa diferença representa um dos principais retratos políticos das eleições de 2026 em Rondônia.
O bolsonarismo não voltou: ele se consolidou
Talvez essa seja a principal conclusão da eleição.
Falar que “a onda Bolsonaro voltou” produz uma manchete forte, mas politicamente o fenômeno parece ser ainda maior.
Rondônia já era um dos estados mais favoráveis a Jair Bolsonaro em eleições anteriores.
O que 2026 demonstrou é que essa preferência conseguiu sobreviver à ausência de Jair Bolsonaro como candidato e se transferir para outros nomes.
Flávio Bolsonaro herdou parte dessa identificação. Marcos Rogério transformou-a em candidatura estadual. E o PL converteu essa força em bancada parlamentar.
Isso é mais do que uma onda eleitoral.
É a consolidação de uma identidade política.
O PL terá uma responsabilidade inédita na próxima Assembleia
Com sete deputados, o PL não terá apenas a maior bancada.
Terá também uma responsabilidade política muito maior.
Marcos Rogério chega ao Governo de Rondônia sabendo que terá uma Assembleia onde seu partido ocupa quase um terço das cadeiras.
Mas isso não significa que o governador terá controle automático do Legislativo.
PSD, PRD, Progressistas, Republicanos, Novo, Avante e Podemos também terão peso decisivo nas votações.
A partir de 2027, a disputa política em Rondônia poderá mudar de eixo.
Em vez de apenas direita contra esquerda, o conflito poderá ocorrer dentro do próprio campo conservador:
quem terá maior influência sobre o Governo Marcos Rogério?
PL, PSD, PRD, Progressistas, Republicanos, Novo ou outras forças do centro-direita?
Essa disputa poderá definir a governabilidade do novo governo.
A eleição também mostra a força do voto proporcional
Outro aspecto importante é que deputado estadual não é eleito simplesmente pelo número individual de votos.
O sistema é proporcional: primeiro são distribuídas as vagas entre partidos e federações e, depois, os candidatos mais votados dentro das respectivas legendas ocupam as cadeiras conquistadas.
O próprio TRE-RO explica que, nas eleições proporcionais, os votos dados aos candidatos e aos partidos determinam quantas vagas cada legenda conquista. Por isso, o candidato mais votado individualmente não necessariamente é eleito em primeiro lugar na distribuição partidária.
Isso ajuda a explicar a importância de montar chapas competitivas.
O PL conseguiu fazer isso em 2026.
Não dependeu de apenas um candidato.
Teve vários nomes com votações expressivas.
E esse conjunto acabou transformando votos individuais em uma bancada de sete parlamentares.
A nova fotografia política de Rondônia
A eleição de 2026 deixa uma fotografia bastante clara do estado.
O eleitorado conservador continua sendo maioria.
O PL tornou-se a principal expressão partidária desse eleitorado.
Marcos Rogério conseguiu transformar essa força em vitória para o Governo.
A esquerda manteve representação, mas está longe de controlar o Legislativo.
E o mais importante:
o bolsonarismo demonstrou capacidade de sobrevivência eleitoral mesmo sem Jair Bolsonaro concorrendo diretamente ao cargo de presidente.
A pergunta, portanto, talvez não seja mais se a onda Bolsonaro voltou.
A pergunta que fica para os próximos quatro anos é:
até onde essa força política será capaz de transformar votos em poder, governo e influência sobre as decisões de Rondônia?
Os números das urnas de 2026 indicam que o PL começa essa nova etapa em posição privilegiada.
Mas a política rondoniense ainda terá outro desafio: transformar a força eleitoral em governabilidade, resultados administrativos e manutenção da unidade do campo conservador.
É aí que começará a verdadeira disputa de 2027.
PORTAL 364 — Sua conexão com o que acontece no mundo, sem filtros.
Análise política baseada nos resultados oficiais e informações divulgadas pela Justiça Eleitoral. As interpretações sobre comportamento eleitoral são análises jornalísticas e não significam que todos os eleitores tenham votado segundo o mesmo padrão.