Entre Peixes e Rodos: A Saga das Viagens Internacionais de Marcos Rocha e o Descaso no HEURO



OPINIÃO & CRÍTICA

A "Diplomacia do Tambaqui": Enquanto a saúde se afoga, o governo navega pelo mundo

Por Redação

Porto Velho RO - Em Rondônia, a culinária regional parece ter virado prioridade de estado — ao menos na agenda de viagens governamentais. Sob a justificativa de "promover a expansão internacional do tambaqui", o governador Marcos Rocha acumula itinerários por feiras gastronômicas, fóruns globais e passagens por destinos como Miami e feiras pelo país. O pretexto oficial é sempre de forte apelo publicitário: vender o pescado rondoniense para o mundo. Porém, nos corredores do serviço público de saúde, a realidade da população passa longe dos banquetes.

O que a oposição e os críticos classificam como um "migué" custoso em diárias e passagens contrasta fortemente com as necessidades urgentes das cidades rondonienses. Os valores empregados em comitivas, agendas e propaganda institucional sobre a carcinicultura e piscicultura alimentam debates incisivos sobre a real prioridade dos cofres públicos. Com verbas milionárias que poderiam erguer, equipar ou concluir unidades hospitalares de alta complexidade — a exemplo de novos complexos estaduais ou reformas definitivas no Hospital de Urgência e Emergência de Cacoal (HEURO) —, a prioridade política do estado optou por navegar em outras águas.

Do Prato Principal ao Caos da Enfermaria

Enquanto o discurso oficial foca no "potencial do tambaqui", a população enfrenta episódios dramáticos na saúde básica e de emergência. Recentemente, em episódios marcados por fortes temporais no interior do estado — como o registrado em Cacoal —, a infraestrutura das unidades de atendimento expôs suas rachaduras.

Cena do cotidiano no HEURO: Acompanhantes e familiares de pacientes precisaram improvisar como equipe de contenção. Armados com rodos e baldes, puxavam água que inundava as enfermarias para evitar o transbordamento nas alas e garantir que os doentes não ficassem submersos no descaso institucional.

O contraste é indigesto: de um lado, comitivas governamentais cruzando fronteiras para promover o peixe regional; do outro, cidadãos comuns empunhando rodos para salvar leitos hospitalares de inundações em dias de chuva intensa.

O Custo da Prioridade Errada

A crise na saúde de Rondônia não é por falta de orçamento global. Com orçamentos anuais bilionários aprovados para o estado, a cobrança da sociedade recai sobre a gestão das prioridades.

■ Infraestrutura precária: Calhas furadas, goteiras e falta de leitos continuam sendo a rotina em hospitais do interior.

■ Atraso na entrega de obras estaduais: Promessas de novos hospitais regionais de urgência continuam engavetadas ou a passos lentos, enquanto agendas no exterior avançam em ritmo acelerado.

■ Contraste de investimentos: O recurso investido no custeio da "expansão do tambaqui" é visto por críticos e pela população como uma manobra publicitária para encobrir a falta de entregas estruturais básicas na saúde.

A saga das viagens para alavancar a imagem do pescado amazonense continuará sendo tema de discursos. No entanto, para o paciente internado no HEURO de Cacoal, a única expansão esperada é a de um atendimento digno, com teto sem vazamentos e leitos limpos — algo que nenhuma promoção gastronômica no exterior consegue entregar.

Caos no HEURO: Jornalista Edson Leite expõe descaso e omissão de autoridades em Cacoal

Em uma denuncia contundente ao Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal (HEURO), o jornalista Edson Leite traz à tona denúncias gravíssimas sobre a situação crítica enfrentada por pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde.

As imagens expõem a realidade nua e crua de uma unidade hospitalar marcada por goteiras, alagamentos em dias de chuva, superlotação e falta de infraestrutura básica para um atendimento digno. Enquanto os cidadãos lutam para garantir o mínimo de suporte humanizado nos corredores, o silêncio e a inércia das autoridades e representantes políticos reforçam o sentimento de abandono da população rondoniense.

Assista abaixo reportagem completa e entenda por que a cobrança por transparência, fiscalização e investimentos reais na saúde pública do estado se tornou urgente e inadiável




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