A saúde definha em Rondônia: relatório do Cremero expõe colapso em Guajará-Mirim e escancara a omissão de Marcos Rocha

A saúde definha em Rondônia: relatório do Cremero expõe colapso em Guajará-Mirim e escancara a omissão de Marcos Rocha


PORTO VELHO RO - Enquanto o governador de Rondônia, Marcos Rocha (União Brasil), articula seu projeto de poder para 2026 e destina R$ 28 milhões mensais para a gestão de uma Organização Social de Saúde (OSS) no novo Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia (Heuro), a população do interior agoniza à míngua . Um relatório recém-divulgado do Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero) sobre o Hospital Municipal Perpétuo Socorro, em Guajará-Mirim, não deixa margem para dúvidas: o sistema está em frangalhos e a responsabilidade é do Palácio Rio Madeira.

A vistoria do Cremero, órgão técnico e imparcial por excelência, revelou uma situação de "colapso estrutural" na unidade que atende a população de Guajará-Mirim. O cenário é de um pronto-socorro em zona de guerra, sem as mínimas condições para salvar vidas. De acordo com as imagens do documento, o centro cirúrgico está fechado, há falta de medicamentos básicos e materiais para intubação, e a sala vermelha — destinada a pacientes em estado crítico — apresenta falhas graves.

Em um dos casos mais chocantes, um paciente grave quase não foi entubado por falta do tubo de tamanho adequado. "Isso é inaceitável em qualquer pronto-socorro do país", denuncia a matéria que acompanha o relatório. A irresponsabilidade chega ao ponto de colocar mães e bebês em risco de morte, com emergências obstétricas sendo atendidas sem qualquer retaguarda cirúrgica. O hospital também não possui comissões obrigatórias, núcleo de segurança do paciente, nem equipe própria de segurança, deixando profissionais da saúde reféns de ameaças enquanto trabalham em condições eticamente inaceitáveis .

Um problema antigo, ignorado por Marcos Rocha

A tragédia anunciada em Guajará-Mirim não é um fato isolado. Em julho de 2021, o G1 já noticiava que a prefeitura de Guajará-Mirim tinha um prazo de 30 dias para resolver problemas no mesmo hospital após uma denúncia do Cremero, que incluía falta de médicos, de remédios e antibióticos . Quase quatro anos depois, a população vê o ciclo de descaso se repetir, provando que as soluções foram paliativas ou simplesmente ignoradas.

O governador Marcos Rocha, que agora, sob forte pressão e em ano pré-eleitoral, tenta se descolar do problema determinando uma "apuração sigilosa" na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), não pode alegar surpresa . A situação é fruto de uma gestão que, em oito anos, não conseguiu reestruturar o sistema e prefere apontar "culpados" dentro da própria máquina pública em vez de assumir a responsabilidade .

O deputado estadual Delegado Camargo (Republicanos), uma das vozes mais incisivas da oposição, tem reiterado que a crise não é burocrática, mas sim fruto da incapacidade de gestão do secretário estadual de saúde, o coronel Jefferson Rocha, e do bloqueio de repasses que deveriam sustentar os hospitais . "Quando o Estado não repassa os recursos do Fundo Estadual de Saúde, toda a engrenagem trava", afirmou o parlamentar.

O escândalo dos R$ 28 milhões: dinheiro para OSS, enquanto o interior morre

O que torna a situação ainda mais revoltante é a política de prioridades do governo estadual. Enquanto o Hospital Perpétuo Socorro não tem insumos básicos, a gestão Marcos Rocha aprovou um projeto que destina R$ 28 milhões mensais a uma Organização Social de Saúde para administrar o Heuro, em Porto Velho .

A crítica, inclusive de servidores e sindicatos, é que o governo alega crise financeira para não valorizar os profissionais da saúde — que tiveram greve considerada ilegal pela Justiça e seguem com salários congelados — mas encontra recursos aos montes para terceirizar a gestão hospitalar, um modelo visto por muitos como uma porta para o desvio de recursos e a precarização do serviço .

Nas redes sociais, a revolta é explícita. Um comentário em matéria sobre o assunto resume o sentimento da população: "Esse desgoverno não quer melhorar a saúde, ele quer prejudicar para ter um motivo de terceirizar a saúde, sucateando a estrutura, desvalorizando servidores e cortando investimentos" .

Guajará-Mirim não é cidade de segunda categoria

O relatório do Cremero é claro: a população de Guajará-Mirim depende do Hospital Perpétuo Socorro e "não pode continuar refém da improvisação e do descaso". O documento será encaminhado ao Ministério Público, mas a história recente mostra que, sem pressão popular e política, os relatórios tendem a engavetar.

Enquanto Marcos Rocha e Jefferson Rocha discutem planos de governo e articulam candidaturas de familiares no lugar de resolver os problemas estruturais da saúde, vidas seguem sendo ceifadas pela falta de um tubo, de um médico ou de um leito.

Providências urgentes precisam ser tomadas, mas a pergunta que fica é: até quando o governo de Rondônia tratará o interior como espelho de sua própria incompetência?

FONTE: REDAÇÃO SITE ELETRÔNICO PORTAL364 

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