PORTO VELHO RO - As campanhas nacionais de conscientização sobre saúde mental reacenderam um debate cada vez mais urgente no Brasil: o adoecimento emocional causado pelo excesso de trabalho, pressão por metas, assédio e acúmulo de funções fora das atribuições do trabalhador.
Especialistas apontam que esses fatores têm levado milhares de pessoas ao esgotamento físico e emocional. Os primeiros sinais costumam surgir de forma silenciosa, com tristeza frequente, inquietação, perda de ânimo e dificuldade para realizar tarefas antes consideradas simples. Segundo profissionais da área, ignorar esses alertas pode agravar o quadro e comprometer seriamente a saúde.
O tema foi abordado por Jailton Delogo durante o quadro “Momento da Inclusão”, a partir de relatos reais enviados por servidores públicos nas redes sociais. Um dos depoimentos chamou atenção ao relatar melhora significativa durante o afastamento do trabalho e o agravamento dos sintomas com a aproximação do retorno às atividades. O servidor descreveu perda de apetite, dificuldades para dormir, noites em claro e até episódios de náusea.
Para Jailton Delogo, quando os sintomas chegam a esse ponto, é fundamental agir imediatamente. Advogado e conhecedor do direito do trabalhador, ele explica que o primeiro passo deve ser solicitar afastamento para buscar tratamento adequado. “É preciso se cuidar antes de qualquer decisão. Depois, avaliar se haverá retorno ao trabalho, reabilitação profissional ou, em casos mais graves, aposentadoria”, afirmou.
Delogo também destacou a importância de o trabalhador preservar provas e registros. Guardar atestados médicos, laudos psicológicos ou psiquiátricos, receitas, exames e registrar formalmente situações de assédio, cobranças excessivas ou acúmulo de funções é essencial para comprovar o nexo entre a doença e o ambiente de trabalho, garantindo respaldo em afastamentos, perícias e possíveis processos administrativos ou judiciais.
O psiquiatra Bruno Cesar, entrevistado no mesmo quadro, reforçou que a base da saúde mental é o equilíbrio. Segundo ele, quando esse equilíbrio se perde, é um sinal claro de alerta. “É necessário buscar tratamento, praticar atividade física, dividir responsabilidades, fortalecer o convívio familiar, manter contato com amigos e reservar tempo para o lazer”, orientou.
A mensagem final deixada pelos especialistas é direta: sentir-se mal não é sinal de fraqueza, mas um pedido de atenção do corpo e da mente. Procurar ajuda profissional é um ato de responsabilidade e autocuidado. Cuidar da saúde mental é, acima de tudo, cuidar da vida — dentro e fora do trabalho.
