
PORTO VELHO RO – O cenário político de Rondônia para 2026 ganhou contornos de drama e estratégia nesta semana. O anúncio conjunto de sete prefeitos do Cone Sul em apoio à pré-candidatura do senador Marcos Rogério (PL) ao Governo do Estado teve como protagonista o prefeito de Vilhena, Delegado Flori (Podemos). O movimento, no entanto, carrega um peso que vai além das fronteiras regionais, expondo uma possível desconexão — ou uma pressão deliberada — sobre o diretório estadual de sua própria legenda.
O "Fator Flori" e o Xeque-Mate no Podemos
Ao declarar apoio a Marcos Rogério sem uma diretriz oficial do Podemos, Flori "sai na frente" e coloca o partido em uma posição delicada. Publicamente, o diretório estadual ainda não definiu com quem caminhará na disputa majoritária.
A atitude do prefeito de Vilhena é vista por analistas como um movimento calculado:
■ Fortalecimento Regional: Consolida o Cone Sul como um bloco coeso em torno de Rogério.
■ Pressão Partidária: Força o Podemos a acelerar suas definições internas, em um momento onde o partido é cobiçado por diferentes frentes.
O Tabuleiro dos Vices: Entre a Família e a Ideologia
O impacto da decisão de Flori ganha ainda mais relevância quando se observa a árvore genealógica e as articulações de bastidores. O tio do prefeito, Léo Moraes, é peça-chave no tabuleiro.
Informações de bastidores indicam que Moraes transita entre dois caminhos opostos, mas igualmente estratégicos:
■ Aliança com o PSD: Ser o vice na chapa encabeçada por Adailton Fúria (Cacoal), consolidando uma frente de prefeitos e ex-gestores.
■ Composição com o PL: Unir-se a Marcos Rogério, o que criaria uma "superchapa" de direita, unindo a força de votos de Porto Velho (reduto de Léo) com a penetração de Rogério no interior.
■ "A declaração de Flori pode ser o balão de ensaio necessário para testar a viabilidade de Léo Moraes na chapa de Marcos Rogério, ou apenas um isolamento estratégico do prefeito frente às decisões da capital", afirma um interlocutor político da região.
O Impacto no Cone Sul
O apoio dos prefeitos Flori (Vilhena), Edinho (Colorado), Silvano (Cabixi), Sinésio (Cerejeiras), Leandro (Corumbiara), Valéria (Pimenteiras) e Wesley (Chupinguaia) retira de outros pré-candidatos — como o próprio Adailton Fúria e Hildon Chaves — uma base importante de sustentação logística e política no sul do estado.
Para Marcos Rogério, que reconheceu o "impacto de 2022" (referindo-se à derrota no segundo turno), a adesão desse grupo é a prova de que sua estratégia de "entrar mais preparado" passa pelo controle territorial e alianças antecipadas.
Conclusão: Silêncio Estadual ou Divisão?
Até o fechamento desta edição, o diretório estadual do Podemos não havia se manifestado oficialmente sobre a antecipação de Flori. O silêncio pode indicar duas coisas: ou uma costura silenciosa para que o partido siga integralmente com o PL, ou o início de uma crise interna onde as bases municipais decidiram caminhar independentemente da cúpula estadual.
A única certeza é que, em Rondônia, o jogo de 2026 já começou, e o Cone Sul acaba de dar as cartas.
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