Do assédio digital à agressão física: a escalada da pressão sobre os vereadores de Porto Velho

DA DIVISÓRIA AO SANGUE: PARALISAÇÃO, INTERPELAÇÃO E AGRESSÃO – A SEMANA DO CAOS NA CÂMARA DE PORTO VELHO

PORTO VELHO RO
- Em menos de sete dias, a Câmara Municipal de Porto Velho viveu três atos de uma mesma peça de terror político. O que era "drama silencioso" virou cena explícita. E os bastidores finalmente transbordaram para o plenário.

A denúncia já estava posta na segunda-feira (11): vereadores reféns de um exército de páginas digitais, grupos de "collabs" e ataques coordenados nas redes. O medo era do corte viral de 30 segundos. A moeda de troca era a exposição. O preço do silêncio: entre R$ 300 e R$500 por "parceria".

Mas ninguém esperava que, menos de uma semana depois, o cerco digital ganhasse carne, osso e voz – e paralisasse a Casa duas vezes.

ATO 1 – A DIVISÓRIA QUE VIROU TRINCHERA (SEMANA PASSADA)

A sessão corria normal. Um vereador fazia uso legítimo da tribuna – seu direito constitucional de falar em nome de quem o elegeu.

Foi quando o silêncio foi quebrado.

De acordo com testemunhas e relatos de parlamentares presentes, um influencer ativista político – desses que comandam verdadeiros exércitos digitais e pertencem ao ecossistema de páginas de pressão – levantou-se do auditório, atravessou o espaço e parou rente à divisória de separação entre o público e o plenário.

Dali, a poucos metros do vereador que discursava, começou a interpelá-lo em alto voz.

Não era aparte regimental. Não era réplica ou tréplica organizada. Era constrangimento ao vivo, gravado, filmado – e, claro, pronto para virar corte de 30 segundos em 10 perfis simultâneos.

O vereador tentou prosseguir. A voz do influencer, no entanto, já dominava o ambiente. A mesa diretora tentou acalmar. Não houve jeito.

A sessão foi paralisada.

"Ele não invadiu a tribuna, mas nem precisou. Da divisória, com o celerno levantado e o dedo apontado, destruiu qualquer possibilidade de debate. Foi humilhação pública de graça", desabafou um parlamentar sob anonimato.

Nos corredores, comenta-se que ele seria articulador de um dos grupos de pressão digital conhecido como "Nova Geração".

ATO 2 – A EMBOSCADA NO GABINETE (HOJE)

Se o primeiro ato foi constrangimento, o segundo foi selvageria.

Hoje (12), o vereador Marcos Combate (Avante) é acusado de agredir fisicamente o jornalista e dono do site "Se Liga", Edval Sheik, com cerca de dez socos dentro do gabinete do parlamentar Breno Mendes (Avante).

A vítima, que havia ido à Câmara para uma reunião de agenda, foi surpreendida com xingamentos ("covarde, vagabundo e corrupto") e agredida – chegando a ser atingida com o próprio capacete.

A sessão foi novamente interrompida. O Sinjor-RO já pediu a cassação do mandato de Combate.

ATO 3 – O PADRÃO QUE NINGUÉM QUIS VER

Sozinhos, os episódios parecem explosões isoladas. Juntos, revelam um sistema:

1. Pressão digital constante – vereadores assediados por dezenas de páginas que cobram "collabs" sob ameaça de ataques coordenados.

2. Interpelação física nas bordas do plenário – o influencer que não invade a tribuna, mas ocupa a divisória para humilhar ao vivo.

3. Agressão consumada – um parlamentar que parte para a violência contra um comunicador.

O fio invisível entre os três atos é o mesmo: vereador como alvo, exposição como arma, rede social como juiz e algoz.

O QUE VEM AGORA?

Nos bastidores, duas perguntas ecoam:

. O influencer da divisória será identificado e punido por quebrar a ordem da Casa, mesmo sem ter invadido a tribuna?

· Marcos Combate perderá o mandato ou o caso será abafado sob a tese de "legítima defesa da honra"?

Enquanto essas perguntas não são respondidas, a Câmara de Porto Velho segue em estado de faroeste. Divisórias não seguram gritos. Gabinetes não seguram socos. E os vereadores, que ontem tinham medo de meme, hoje têm medo de entrar no próprio local de trabalho.

Fonte: Redação
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