Publicação de ilustração crítica aos penduricalhos da magistratura foi interpretada por associações de juízes como referência à morte recente de uma desembargadora gaúchaPORTO VELHO RO - A Folha de S.Paulo quebrou o silêncio na última segunda-feira (11) diante da repercussão negativa de uma charge publicada no dia 9 de maio. Em coluna extraordinária assinada pela ouvidora do jornal, o veículo defendeu o teor da ilustração, que fazia crítica aos chamados “penduricalhos” do Judiciário, mas reconheceu a sensibilidade do episódio.
O desenho, de autoria da cartunista Marília Marz, trazia a imagem de uma lápide como metáfora para os excessos remuneratórios na magistratura. A peça gráfica rapidamente provocou reações de integrantes da Justiça e de entidades representativas da categoria, que viram no símbolo uma possível associação com a morte recente da juíza Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS).
A magistrada faleceu aos 34 anos, vítima de complicações decorrentes de um procedimento de fertilização in vitro. A comoção em torno do caso amplificou a percepção de que a charge teria desrespeitado a memória da juíza — ainda que a autora e o jornal tenham negado qualquer intencionalidade nesse sentido.
Em seu posicionamento, a Folha reafirmou o direito à liberdade de expressão e à crítica institucional, mas destacou que entende o mal-estar causado. A ombudsman do periódico escreveu que o episódio serve como alerta para os limites simbólicos do humor gráfico, especialmente quando temas lúdicos ou fúnebres se cruzam com tragédias pessoais ainda frescas no imaginário coletivo de uma corporação.
Até o fechamento desta edição, nem a cartunista nem o TJRS haviam emitido novos pronunciamentos oficiais. A charge, originalmente publicada na edição impressa e nas redes sociais do jornal, permanece disponível nos acervos digitais da empresa.
Redação: Portal 364