Militância Digital a Serviço do Pré-Candidato: Ataques Contra a Imprensa em Rondônia”

PORTO VELHO (RO) – Um áudio que circula em grupos de WhatsApp expôs uma prática que revoltou moradores de Cacoal: durante a pior crise na saúde pública local, a revista de campanha do pré-candidato ao governo de Rondônia, Adailton Fúria (PSD), foi distribuída dentro do Hospital Regional. A informação, veiculada em páginas de notícias independentes, desencadeou uma reação orquestrada de apoiadores do político, que tentaram por meio de denúncias em massa derrubar as publicações e as próprias páginas que divulgaram o caso.

Panfletagem em meio à crise hospitalar




Em um áudio compartilhado em redes sociais, uma mulher não identificada relata sua indignação ao flagrar a distribuição do material de campanha dentro do hospital. “O paciente morrendo sem atendimento no hospital de Cacoal, e os portariados do Fúria e o Cássio entregando panfleto, material de propaganda lá dentro […] usando o sofrimento alheio como palanque político”, afirma a denunciante.

O material distribuído é uma revista de 18 páginas, com imagens do ex-prefeito e de sua esposa, Joliane Fúria, pré-candidata a deputada federal. A publicação exalta supostas conquistas da gestão e busca consolidar a imagem de Fúria como grande gestor, enquanto pacientes aguardavam atendimento em macas nos corredores da unidade.

Milícia digital articula ataque

A divulgação do caso gerou rápida reação de um grupo organizado nas redes sociais, identificado como “Amigos do Adailton Fúria”, composto majoritariamente por comissionados do governo. Em menos de uma hora após a publicação das matérias, uma das líderes do grupo orientou os mais de 800 membros a realizar uma enxurrada de denúncias contra as páginas de notícias.

Prints de conversas obtidas pela reportagem mostram a convocação: “852 pessoas se cada um fizer de 30 a 50 denúncia, removemos o conteúdo” e “Tem que denunciar a página tbm”. A ação coordenada visa classificar as reportagens como “caluniosas” ou “inadequadas” para acionar os mecanismos automáticos de moderação das plataformas e remover os conteúdos.

Tentativa de censura e defesa da imprensa

O episódio em Cacoal reflete uma prática crescente no país: o uso de milícias digitais para silenciar a imprensa e blindar candidatos de escrutínio público. A página de notícias atacada publicou uma nota reafirmando seu compromisso com a informação, o contraditório e a fiscalização do interesse público, denunciando a tentativa de censura.

O caso acontece em meio a operações nacionais contra essas práticas. A Polícia Federal deflagrou recentemente a Operação Palanque Digital, que apura desvio de verbas públicas e crimes eleitorais por meio de uma rede digital de desinformação e ataques.

“A reportagem reforça que o espaço segue aberto para manifestação oficial do pré-candidato ao governo Adailton Fúria, de sua assessoria e dos demais citados na matéria. Caso desejem apresentar esclarecimentos, contrapontos ou qualquer posicionamento sobre os fatos relatados, o conteúdo será publicado de forma transparente, em respeito ao contraditório, à liberdade de expressão e ao compromisso jornalístico com a informação.”

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