🌎 Os destaques do dia: Starmer sob fogo cerrado, ofensiva contra Moraes e streaming à moda antiga

Crise no Reino Unido, ofensiva contra Moraes e o “eterno retorno” do streaming: os destaques desta terça



O primeiro-ministro Keir Starmer enfrenta a maior rebelião interna de seu mandato, enquanto no Brasil a oposição articula duas frentes para limitar decisões monocráticas no STF. No mundo dos negócios, a Netflix resgata a lógica da TV tradicional, e a OpenAI reage à ascensão da rival Anthropic.


Reino Unido: Trabalhistas vivem dias de fúria, e premiê já é o 5º em 10 anos

A estabilidade política do Reino Unido volta a ser questionada. O primeiro-ministro Keir Starmer vive o momento mais delicado desde que assumiu, em 2024, após seu partido sofrer derrotas consideradas “desastrosas” nas eleições locais da última semana. O resultado nas urnas foi interpretado como um termômetro do descontentamento popular diante da estagnação econômica, da crise no custo de vida e da fragilidade dos serviços públicos.

A pressão, no entanto, não vem apenas das ruas. Nos corredores do Parlamento, uma rebelião interna já reúne 68 parlamentares trabalhistas que pedem a renúncia de Starmer, além da saída de três assessores ministeriais. Em discurso nesta segunda-feira, o premiê admitiu ter sido “tímido demais” em sua gestão, mas descartou qualquer possibilidade de entregar o cargo antes das eleições gerais de 2029.

Para tentar reverter o quadro, Starmer aposta numa reaproximação com a União Europeia, seis anos após o Brexit, na esperança de reanimar a sexta maior economia do mundo. O desafio é recuperar a credibilidade política de um país que, com ele, chega ao quinto ocupante do número 10 de Downing Street na última década.

Brasil: Oposição lança ofensiva para conter decisões individuais de Alexandre de Moraes

O embate entre os Poderes Legislativo e Judiciário ganhou um novo capítulo, e o alvo é o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No fim de semana, Moraes suspendeu a aplicação da chamada Lei da Dosimetria para os condenados pelos atos de 8 de janeiro – uma decisão monocrática interpretada pela oposição como um afronte direto ao Congresso Nacional.

A reação foi articulada pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. A legenda iniciou nesta segunda uma ofensiva para aprovar a PEC 8/2021, que na prática impede que um único magistrado suspenda leis aprovadas pelo Parlamento ou pelo Planalto. Pelo texto, decisões desse tipo só poderão ser tomadas em plenário, pelo conjunto da Corte.

O líder do PL deu entrada no texto na Câmara dos Deputados e acredita reunir as 171 assinaturas necessárias para dar início à tramitação ainda nesta quarta-feira. Paralelamente, parlamentares de direita voltaram a discutir a PEC da Anistia para os envolvidos nos atos golpistas, vista agora como a “única alternativa possível” diante das decisões do magistrado.

Enquanto isso, nos bastidores do Senado, a oposição articula com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, para atrasar a tramitação da proposta que pretende acabar com a jornada 6×1. O objetivo é empurrar a votação para depois das eleições municipais, evitando o desgaste de rejeitar um tema popular em ano de disputa nas urnas.

Negócios: O streaming está reinventando a TV a cabo (ou o contrário)

O mercado de streaming parece ter redescoberto uma velha máxima da televisão tradicional: o cliente mais valioso não é aquele que paga a mensalidade mais alta, mas o que passa mais horas diante da tela. E a Netflix é quem está liderando essa virada de chave.

A plataforma elevou o preço do plano padrão sem anúncios para US$ 20 nos Estados Unidos, enquanto empurra os assinantes para a opção com publicidade, que custa menos da metade: US$ 9. A conta é simples: um usuário do plano com anúncios gera menos receita direta, mas compensa no volume de horas assistidas. Quanto mais tempo diante da tela, mais anúncios são exibidos e maior o lucro da empresa.

Estima-se que um assinante do plano básico de US$ 9 pode gerar cerca de US$ 20 se assistir 28 horas por mês, ou US$ 25 se chegar a 41 horas. Com 68% dos novos assinantes optando pelos planos mais baratos com anúncios, a Netflix projeta faturar US$ 3 bilhões apenas com receita publicitária em 2026 – o dobro do ano passado.

A conclusão é quase filosófica: o streaming está deixando de ser um negócio de venda de conteúdo para se tornar, novamente, um negócio de venda de audiência, tal qual a TV a cabo. Um movimento que, para alguns, lembra a teoria do eterno retorno de Nietzsche: o novo, no fundo, é o velho que retorna sob outra roupagem.

Tecnologia: A revanche da OpenAI contra a Anthropic


Por meses, o chatbot Claude, da Anthropic, roubou a cena do ChatGPT, especialmente com a ferramenta de programação Claude Code. Mas o sucesso veio acompanhado de um problema típico de escala: falta de tokens. Para conter a demanda, a Anthropic passou a impor limites de crédito cada vez mais restritivos, forçando usuários a buscar alternativas.

O movimento natural foi em direção ao Codex, o agente de codificação da OpenAI. Além de não sofrer das mesmas restrições, o Codex recebeu atualizações significativas: agora opera com versões mais recentes do ChatGPT, executa tarefas por mais tempo de forma autônoma e apresentou ganhos consideráveis de velocidade. Em testes, o Claude Code chegou a consumir quatro vezes mais créditos do que o rival da OpenAI para a mesma atividade.

O resultado apareceu nos números: os downloads do Codex cresceram 2,5 vezes entre fevereiro e março deste ano, atingindo a marca de quase 15 milhões. A disputa acirrada entre as duas maiores startups de inteligência artificial – cujo valor de mercado combinado gira em torno de US$ 1,2 trilhão – mostra que, no setor de IA, a liderança se conquista não apenas com inovação, mas também com confiabilidade e escala.
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