PORTO VELHO RO - Nesta terça-feira (23), a Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem, focada em apurar suspeitas de crimes financeiros envolvendo a gestão do Banco Digimais. A instituição, que tem como controlador o bispo Edir Macedo, é alvo de uma investigação que aponta manipulação contábil e ocultação da real situação financeira do banco.
O que a polícia investiga?
As autoridades suspeitam que o banco tenha adotado práticas ilegais para esconder problemas financeiros e aparentar uma saúde econômica que, na verdade, não existia. Os pontos principais da investigação incluem:
Manipulação de balanços: Alteração de dados em documentos contábeis para enganar órgãos reguladores.
Gere valorização de ativos: Atribuição de valores irreais a bens do banco.
Operações irregulares: Práticas de crédito proibidas por lei e transações suspeitas em benefício da empresa controladora.
Detalhes da Operação
Medidas Judiciais: A Justiça Federal autorizou o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, atingindo oito pessoas físicas e dez empresas.
Bloqueio de Bens: Foi determinado o sequestro e bloqueio de valores e bens dos investigados que somam até R$ 670,3 milhões.
Sigilos: O sigilo bancário e fiscal dos investigados, incluindo o de Edir Macedo, foi quebrado pela Justiça. O bispo é um dos investigados, mas não foi alvo de mandado de busca porque reside fora do Brasil.
O que dizem os envolvidos
Banco Digimais: Em nota, a instituição afirmou que está à disposição para colaborar com as autoridades e reafirmou seu compromisso com a transparência e a conformidade com as regras bancárias.
Defesa de Edir Macedo: O escritório que representa o bispo informou que não teve acesso aos documentos da operação e, por isso, não comentará o caso, tratando-se de uma questão interna da instituição financeira.
Corretora ID CTVM: Também citada na operação, a empresa declarou que adota rígidos padrões de governança e que prestará todos os esclarecimentos necessários para provar a legalidade de suas operações.
Contexto do Banco
O Digimais, fundado em 1981 como Banco Renner, transformou-se em banco digital sob o controle de Edir Macedo a partir de 2020, focando principalmente no financiamento de veículos.
Recentemente, a instituição passou por um período turbulento. Em abril deste ano, o BTG Pactual anunciou a intenção de comprar o controle acionário do banco, mas a negociação ainda depende de aprovações do Banco Central e de órgãos de defesa da concorrência. Além disso, a agência de risco Fitch rebaixou a nota do Digimais recentemente, classificando-o com um elevado risco de crédito.
Os envolvidos podem responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, como gestão fraudulenta e inserção de dados falsos em registros contábeis
