As negociações entre Estados Unidos e Irã, que vinham sendo tratadas como a melhor chance em anos para uma distensão duradoura, praticamente entraram em modo de alerta máximo após novas ameaças do ex-presidente americano Donald Trump.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, chegou à Suíça para se reunir com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Ghalibaf. Na pauta, um acordo definitivo a partir do memorando firmado na semana anterior, que estabelecia 60 dias para desenhar um entendimento sobre o programa nuclear iraniano e o alívio das sanções econômicas.
O clima inicial era de prudente otimismo. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, chegou a declarar que esperava que as partes “conseguissem fazer o processo avançar com sucesso”.
Esse cenário, porém, não resistiu ao acirramento paralelo no tabuleiro do Oriente Médio. Irritado com os ataques contínuos de Israel ao Hezbollah no Líbano, mesmo depois da assinatura do memorando, o Irã chegou a anunciar um bloqueio no Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de petróleo.
Diante da escalada, Trump utilizou as redes sociais para ameaçar o Irã com ataques “com muita força” caso o país não contivesse o Hezbollah, além de sugerir a cobrança de um “pedágio” sobre a passagem em Ormuz. As declarações foram recebidas como afronta direta pela delegação iraniana em solo suíço.
O resultado foi imediato: os representantes do Irã deixaram a mesa de negociação e condicionaram o retorno ao diálogo a um pedido formal de desculpas de Trump pelas ameaças. Vance tentou minimizar a turbulência, dizendo que “essas coisas são sempre um pouco complicadas” e alegando que houve avanços em direção ao fim das hostilidades.
Apesar do impasse político, negociadores conseguiram costurar um entendimento técnico preliminar para aliviar sanções sobre o petróleo iraniano. O desafio agora é sustentar a trégua de 60 dias prevista no memorando e impedir que o confronto retórico, somado à violência no Líbano, desmonte a chance de acordo mais amplo.
Ataque hacker expõe fragilidade do sistema de alertas da Defesa Civil
Milhões de brasileiros foram surpreendidos no fim de semana por mensagens alarmantes em seus celulares. Classificadas como “Alerta Extremo”, as notificações — supostamente emitidas pela Defesa Civil — mencionavam a palavra “misantropia” e, em alguns casos, falavam até em “tornado e ataque alienígena”.
O que poderia parecer uma ação de marketing ou uma pegadinha elaborada, na verdade, foi um ataque hacker ao sistema oficial de alertas da Defesa Civil Nacional. Segundo o governo, pelo menos 10 notificações falsas foram disparadas em oito estados, alcançando mais de 30 milhões de pessoas.
Diante da invasão, a Defesa Civil tirou a plataforma do ar e restringiu seu funcionamento. O sistema, que é a principal ferramenta do governo para avisar a população sobre enchentes, deslizamentos e outros riscos iminentes, identifica celulares conectados às redes de telefonia em áreas específicas e dispara alertas emergenciais.
A Polícia Federal foi acionada e iniciou investigação. As apurações preliminares indicam que os invasores se cadastraram na plataforma a partir de Curitiba, originando o primeiro disparo. Novos cadastros teriam sido usados para enviar os alertas seguintes.
Além do susto, o episódio escancara a vulnerabilidade de infraestruturas digitais cruciais do Estado. A facilidade com que o sistema foi manipulado acende um alerta sobre a segurança de dados e da comunicação oficial em momentos de crise — justamente quando a confiança do público é mais necessária.
O episódio ainda fez a palavra “misantropia” explodir em buscas no Google Trends. O termo, que define aversão ou rejeição à humanidade e pode estar associado a comportamentos de isolamento social, virou mote involuntário de um debate mais amplo sobre desinformação, ataques cibernéticos e a confiança em canais institucionais.
Nova pesquisa Datafolha expõe limite da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro
A mais recente pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial mantém o cenário conhecido, mas joga luz sobre um obstáculo importante para os principais nomes da polarização: o alto índice de rejeição.
No primeiro turno, o presidente Lula aparece na frente, com 41% das intenções de voto. O senador Flávio Bolsonaro vem em seguida, com 31%. Em patamar bem menor, surgem Renan e Ronaldo Caiado com 3% cada, e Romeu Zema, Aécio Neves, Cury e Samara Martins com 2%.
Em uma simulação de segundo turno, o quadro repete o equilíbrio da pesquisa anterior: Lula tem 47%, enquanto Flávio Bolsonaro marca 43%. A divisão geográfica e social permanece praticamente idêntica à de 2022. Lula lidera no Nordeste (61%) e entre mulheres, donas de casa e estudantes. Flávio é mais forte entre empresários (69% a 25%) e no Sul (54%).
O dado que mais preocupa ambas as campanhas é o teto de rejeição: 48% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 46% dizem o mesmo sobre Lula. Na prática, os dois nomes chegam próximos ao limite de crescimento sem conquistar eleitores hoje refratários.
Nos bastidores, a leitura é dividida. No PL, o resultado é visto como sinal de resiliência. Aliados avaliam que o desgaste provocado pelos episódios envolvendo o “caso Dark Horse e Master” teria sido administrado, e apostam em um impulso favorável à medida que o impacto da operação envolvendo Jaques Wagner seja absorvido.
No PT, a avaliação é que a operação não respinga diretamente em Lula e que o eleitor tende a diferenciar o presidente das acusações sobre figuras específicas do partido. O cálculo petista é que a vantagem numérica tende a se consolidar na medida em que as medidas econômicas recentes comecem a surtir efeito concreto no cotidiano da população.
Lutador do UFC transforma parte da própria carreira em ativo financeiro
O brasileiro André “Mascote” Lima, invicto em 11 de suas 12 lutas no UFC, passa a ser protagonista de uma experiência inédita no esporte brasileiro: a tokenização de parte de sua carreira.
A empresa Vib3 lançou ao público um ativo digital que dá direito a uma parcela dos ganhos futuros do lutador. Quem compra o token, na prática, se torna sócio de uma fatia de sua trajetória profissional. A cada premiação, patrocínio ou cachê que Mascote receber, 20% do valor será distribuído entre os investidores.
O mecanismo funciona como uma antecipação de receitas. O atleta garante recursos no curto prazo — que serão utilizados para treinos, equipe médica, preparação física e demais custos de alto rendimento — e cede em troca parte do sucesso financeiro que tiver nos próximos anos.
É um modelo semelhante ao que vem ganhando espaço na indústria musical, em que artistas vendem direitos autorais presentes e futuros em troca de capital imediato.
A meta da Vib3 é captar mais de R$ 500 mil na oferta. A companhia projeta que, no horizonte de oito anos, os investidores possam receber até R$ 1,5 milhão em retornos. O desempenho, contudo, depende diretamente da performance de Mascote nos octógonos e de sua capacidade de atrair patrocínios.
A plataforma já mira a expansão do formato para outros atletas e projetos esportivos, o que pode abrir uma nova frente de financiamento de carreiras no esporte brasileiro, ao custo de compartilhar riscos e recompensas com o público-investidor.
Giro internacional: Colômbia muda de rumo, crise política no Reino Unido e alerta cibernético nos EUA
O início da semana também é marcado por movimentações relevantes em outros países.
Na Colômbia, a eleição de Abelardo de la Espriella, apoiado por Donald Trump, encerra o ciclo do primeiro governo de esquerda no país e sinaliza uma guinada à direita. Com 99,65% das urnas apuradas, Abelardo conquistou 49,65% dos votos válidos, contra 48,70% de Iván Cepeda, candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro. A vitória apertada antecipa um mandato sob forte polarização e disputas sobre a agenda econômica e de segurança pública.
No Reino Unido, o futuro do primeiro-ministro Keir Starmer tornou-se alvo de especulações. Após pressão interna surgida com a disputa pelo comando do partido no Parlamento, rumores de renúncia se intensificaram depois de uma publicação de Donald Trump sugerindo que o premiê deixará o cargo e criticando seu desempenho. Embora não haja confirmação oficial, o episódio amplia a instabilidade ao redor do governo.
Já nos Estados Unidos, a segurança cibernética voltou ao centro do debate. Um modelo de inteligência artificial chamado Mythos, ainda não lançado pela Anthropic, teria conseguido invadir em poucas horas quase todos os sistemas ultrassecretos da Agência de Segurança Nacional (NSA). A informação foi revelada pelo próprio diretor da agência e trazida a público pelo senador Mark Warner. O caso alimenta preocupações sobre o potencial de ferramentas de IA avançadas em operações ofensivas e defensivas no ciberespaço — e sobre a capacidade dos governos de controlar tecnologias que eles próprios ajudam a desenvolver.
Esses acontecimentos, distribuídos entre diplomacia global, segurança digital, política nacional e inovação financeira no esporte, ajudam a desenhar o cenário de incertezas e disputas que marca o início desta semana.
FONTE: Redação Site PORTAL364