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Ataques diretos entre EUA e Irã acendem alerta vermelho no Oriente Médio
País acusa Irã de derrubar helicóptero no Estreito de Ormuz; governo Trump responde com mísseis e nova escalada militar é confirmada
A madrugada desta quarta-feira (11) marcou o recrudescimento das tensões no Oriente Médio. Estados Unidos e Irã retomaram os ataques diretos, elevando o risco de uma guerra regional de grandes proporções. A troca de ofensivas ocorre menos de uma semana após um breve período de trégua entre os dois países.
O estopim para a nova escalada foi a alegação americana de que um helicóptero militar foi abatido pelo Irã na região do Estreito de Ormuz, um dos pontos mais estratégicos para o transporte de petróleo do planeta. A Guarda Revolucionária do Irã negou responsabilidade, classificando o incidente como não intencional.
Apesar da negativa iraniana, o governo do presidente Donald Trump ordenou ataques de mísseis contra alvos militares no Irã, incluindo sistemas de defesa aérea e radares posicionados ao redor do estreito. O Comando Central dos EUA justificou a ação como um ato de "autodefesa proporcional".
A resposta iraniana veio poucas horas depois, por meio do chanceler do país, que afirmou que "nenhum ataque ficará sem resposta". Em seguida, mísseis foram lançados contra bases americanas na Jordânia, Kuwait e Bahrein. Relatos preliminares indicam que parte dos projéteis foi interceptada antes de atingir os alvos.
Mudança de postura
Analistas apontam que a ofensiva americana representa uma virada na estratégia de Washington. Até então, Trump tentava conter os ataques de Israel contra o Irã para viabilizar um cessar-fogo e evitar desgaste em sua popularidade. Agora, os EUA entram na linha de frente do confronto.
ORIENTE MÉDIO
Líbano aceita cessar-fogo, mas exigência contra Hezbollah trava acordo
Grupo rejeita desarmamento e chama proposta de "extermínio"; bombardeios de Israel forçam mais de 1 milhão de libaneses a deixar o sul do país
O governo libanês aceitou formalmente um acordo de cessar-fogo com Israel, mas sob uma condição considerada inviável por especialistas: desarmar e expulsar o Hezbollah do território nacional. A milícia, que não participou das negociações, rejeitou os termos de imediato.
O secretário-geral do Hezbollah classificou a ordem de desarmamento como uma tentativa de "extermínio" e convocou seus apoiadores a irem às ruas contra o próprio governo do Líbano. A situação expõe a fragilidade do Estado libanês, que enfrenta uma grave crise econômica e energética e possui um exército oficial menos poderoso que o grupo armado.
Enquanto isso, Israel segue com sua ofensiva. Novos bombardeios atingiram a cidade de Tiro, no sul do Líbano, deixando mortos e forçando a emissão de ordens de evacuação. O saldo da violência já ultrapassa 1 milhão de refugiados, a maioria muçulmanos xiitas.
Em Beirute, no entanto, bairros de maioria cristã e sunita têm se recusado a acolher os deslocados. O motivo, segundo moradores, é o medo de que a presença dos refugiados atraia bombardeios israelenses para suas regiões.
MERCADO FINANCEIRO
IPO da SpaceX mira história com valuation de US$ 1,77 trilhão; entenda os riscos
Empresa de Elon Musk estreia na bolsa como 9ª maior do planeta, mas balanço revela prejuízo bilionário e dependência do hype com inteligência artificial
A SpaceX está a menos de 48 horas de realizar o que pode ser o maior IPO da história. A empresa de Elon Musk pretende levantar US$ 75 bilhões com a oferta, que ocorrerá sob o ticker SPCX, a um preço fixo de US$ 135 por ação. O valuation de estreia é de US$ 1,77 trilhão, o que já colocaria a companhia como a nona maior do mundo.
Os documentos entregues aos reguladores americanos, porém, revelaram um cenário de contrastes. Apesar de ter faturado US$ 18,7 bilhões em 2025, a SpaceX carrega um prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões. A empresa vai a mercado sendo negociada a 95 vezes sua receita anual — a gigante Nvidia, por exemplo, gira em torno de 21 vezes.
O trunfo chamado IA
O que justifica o valuation exorbitante não é o mercado espacial, mas sim a inteligência artificial. A SpaceX declarou à SEC que 93% de seu mercado endereçável está atrelado à IA, avaliado em US$ 26,5 trilhões. O plano da empresa é usar sua constelação de satélites para criar data centers, construir uma fábrica de chips e cobrar "pedágio" de concorrentes.
A rival Anthropic já assinou um contrato de US$ 45 bilhões para usar os servidores da SpaceX. Para analistas, no entanto, o preço de estreia está inflado. Estimativas indicam que o valor justo da empresa seria de US$ 780 bilhões. Ciente do ceticismo dos grandes fundos, Musk reservou 30% das ações para investidores de varejo.
O resultado do IPO servirá como termômetro para as próximas listagens do setor, incluindo OpenAI e Anthropic.
ECONOMIA BRASILEIRA
Tesouro volta a pagar IPCA + 8% após nove anos; entenda o que isso significa
Título com prêmio elevado reflete desconfiança do mercado com contas públicas e projeção de inflação e juros em alta
O Tesouro Nacional voltou a oferecer ao mercado títulos públicos atrelados ao IPCA com prêmio de 8% ao ano. A última vez que isso aconteceu foi entre 2015 e 2016, durante o governo Dilma Rousseff. Embora pareça uma oportunidade atraente para o investidor, o movimento acende um alerta sobre a saúde fiscal do país.
Na prática, quando o governo oferece um retorno elevado (IPCA + 8%), significa que ele precisa remunerar mais para convencer o mercado a emprestar dinheiro. É um termômetro da confiança (ou da falta dela) na capacidade de pagamento do Estado.
Dados recentes explicam o cenário:
- O Banco Central elevou a projeção da inflação pela 13ª semana consecutiva, de 5,09% para 5,11%.
- Economistas agora projetam a taxa básica de juros em 13,5% ao final de 2026, acima dos 13,25% esperados anteriormente.
- As preocupações com o arcabouço fiscal e o cenário geopolítico global continuam pressionando a economia.
Para o investidor, o título oferece uma rentabilidade real elevada. Para o país, é um sinal de que o custo do endividamento está aumentando em meio à desconfiança do mercado.
TECNOLOGIA E SOCIEDADE
Estudo revela que algoritmos de recrutamento podem ter viés racial
Pesquisa com 4 milhões de candidaturas mostra que IA usada por 90% das empresas nos EUA recomenda negros para vagas braçais e asiáticos para funções específicas
A inteligência artificial está transformando o recrutamento no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, 90% dos empregadores já utilizam ferramentas automatizadas para triagem de currículos. O problema, revela um estudo inédito da Universidade de Stanford, é que esses algoritmos podem estar reproduzindo — e ampliando — vieses sociais.
A pesquisa analisou 4 milhões de candidaturas avaliadas por um mesmo sistema de recrutamento com IA. Os resultados indicaram que:
- 26% dos candidatos negros e 15% dos asiáticos foram classificados abaixo do mínimo esperado para vagas qualificadas, conforme diretrizes trabalhistas americanas.
- O algoritmo tende a recomendar negros para funções braçais (como logística e serviços gerais), mas raramente para áreas financeiras ou estratégicas.
- Candidatos que se inscrevem em múltiplas vagas filtradas pelo mesmo sistema têm alta chance de serem rejeitados em todas — o que pode excluí-los inteiramente do mercado.
O estudo também critica a falta de transparência. A maioria das empresas não divulga como seus algoritmos tomam decisões, dificultando a identificação e correção de preconceitos. Para especialistas, esse é mais um desafio urgente na integração ética da IA ao mundo do trabalho.
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