Operação que afastou 11 servidores da ALE-RO pode ter sido vazada um dia antes; PF investiga


Polícia Federal vai apurar se informações da Operação Reduto foram divulgadas antes do cumprimento dos mandados. Ação também prendeu dois investigados e bloqueou até R$ 9 milhões em bens. 
(Foto: Divulgação/PF)

Porto Velho, RO - A Polícia Federal vai investigar um possível vazamento de informações da Operação Reduto, em Rondônia. O caso foi confirmado pelo Ministério Público nesta sexta-feira (10).

Deflagrada na quarta-feira (9), a operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão. Os alvos foram servidores da prefeitura de Ariquemes e da Assembleia Legislativa.

As investigações começaram em 2024 após relatórios do Coaf apontarem movimentações financeiras suspeitas. O órgão identificou transações superiores a R$ 9 milhões incompatíveis com os investigados.

O grupo atuava fraudando licitações em Ariquemes e desviando recursos na Assembleia Legislativa por meio de rachadinha. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 9 milhões.

A Prefeitura de Ariquemes e a Assembleia Legislativa informaram que estão colaborando com as investigações. Ambas se colocaram à disposição das autoridades para esclarecimentos.


Operação reduto: Servidores são presos e outros 11 afastados em operação da PF em RO

A Polícia Federal vai investigar um possível vazamento de informações da Operação Reduto, que apura um esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e "rachadinha" em Rondônia, um dia antes do cumprimento dos mandados. A informação foi confirmada pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO) nesta sexta-feira (10).

A Operação Reduto foi realizada na quarta-feira (9) e cumpriu 19 mandados de busca e apreensão: nove em Ariquemes (RO), oito em Porto Velho (RO) e dois em Manaus (AM).

Em Ariquemes, os alvos foram servidores da prefeitura. Já em Porto Velho, a ação teve como alvo a Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), onde policiais federais apreenderam documentos, mídias e outros materiais que serão analisados durante as investigações.

Entre os alvos da operação está o presidente da Alero, deputado estadual Alex Redano (Republicanos). Os policiais fizeram buscas no gabinete e na Secretaria-Geral da Presidência da Casa, além de um apartamento do parlamentar, em Porto Velho, e de uma casa dele, em Ariquemes. Os nomes dos outros investigados não foram divulgados pela PF.

Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram em 2024, após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações financeiras suspeitas envolvendo uma empresa de Manaus que mantinha contratos públicos em Rondônia.

Com o avanço das apurações, a PF identificou movimentações superiores a R$ 9 milhões consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados.

De acordo com a investigação, o grupo atuava em duas frentes. A primeira era responsável por fraudar licitações e direcionar contratos públicos no município de Ariquemes.

A segunda frente investigada envolvia o desvio de recursos públicos por meio de contas de servidores comissionados da Assembleia Legislativa de Rondônia, em uma prática classificada pela Polícia Federal como "rachadinha", quando um assessor devolve parte do salário ou valor completo ao agente político.

Além das prisões e dos afastamentos, a Justiça determinou o bloqueio de bens, ativos financeiros e criptoativos dos investigados até o limite total de R$ 9 milhões. Durante a operação, também foi apreendido dinheiro em espécie em Manaus.

Segundo a PF, as medidas cumpridas nesta fase da operação têm o objetivo de reunir novos elementos e aprofundar as investigações.

O que dizem os envolvidos

Em nota, a Prefeitura de Ariquemes informou que está colaborando com as autoridades e entregando os documentos e informações solicitados durante a investigação. A administração afirmou que, até o momento, não há nenhuma conclusão de irregularidade envolvendo a prefeitura e que os serviços públicos seguem funcionando normalmente.

A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) informou que acompanha a operação e está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A Casa afirmou que segue os princípios de transparência e legalidade, e que os processos de contratação possuem mecanismos de controle e fiscalização.

A Rede Amazônica entrou em contato com o presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), deputado estadual Alex Redano (Republicanos), mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. A empresa citada pela Polícia Federal também foi procurada, mas não foi localizada para comentar o caso.

Dois servidores são presos e 11 afastados em operação na ALE-RO que investiga 'rachadinha' — Foto: Divulgação/PF


PF cumpre mandados em Manaus contra empresa investigada por fraude em contratos públicos de Rondônia — Foto: Divulgação/PF

Por Iury Lima, Rede Amazônica e g1 RO

10/07/2026 12h06 Atualizado há 6 horas
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