Notificação do Tribunal de Contas repercute no cenário político e deve alimentar o debate eleitoral de 2026; ex-prefeito terá 30 dias para apresentar defesa.Filiado ao PSD e apontado como um dos nomes colocados para disputar o Governo de Rondônia nas eleições de 2026, Fúria passa a enfrentar um novo desafio: administrar os reflexos políticos de um processo de fiscalização que coloca em xeque a saúde fiscal de sua gestão à frente da Prefeitura de Cacoal.
A decisão, assinada pelo conselheiro substituto Omar Pires Dias, determina que o ex-prefeito apresente defesa no prazo de 30 dias sobre as inconsistências identificadas pela equipe técnica do Tribunal.
Segundo o relatório de auditoria, a principal irregularidade apontada é uma insuficiência financeira de R$ 743.315,53, indicando que, ao final de 2025, o município não possuía disponibilidade financeira suficiente para cobrir todas as obrigações assumidas. O documento também aponta o descumprimento das metas fiscais previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), com déficit primário de aproximadamente R$ 9,7 milhões, além da ausência de envio de informações obrigatórias ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi).
Repercussão política
Embora a citação do Tribunal não represente condenação e faça parte da fase de instrução do processo, a divulgação do caso tem potencial para provocar desgaste político em um momento estratégico para Adailton Fúria.
Nos últimos meses, o ex-prefeito intensificou sua presença em diversas regiões do Estado, ampliando articulações e sendo apresentado por aliados como um dos principais pré-candidatos ao Palácio Rio Madeira. Sua gestão em Cacoal tem sido utilizada como principal vitrine de sua trajetória administrativa.
Com a abertura do processo no Tribunal de Contas, adversários políticos tendem a utilizar os apontamentos como argumento para questionar a condução das finanças do município. Já aliados afirmam que o procedimento ainda está em fase inicial e que o ex-prefeito terá oportunidade de demonstrar que os apontamentos técnicos não refletem irregularidades definitivas.
Atual prefeito não responde pelos apontamentos
A decisão do Tribunal delimita a responsabilidade pelos fatos ao período da gestão de Adailton Fúria. O atual prefeito de Cacoal, Tony Pablo, não foi citado no processo e não responde pelas irregularidades apontadas pela equipe técnica do TCE.
Direito de defesa
O processo encontra-se na fase de contraditório. Adailton Fúria poderá apresentar documentos, justificativas e manifestações técnicas dentro do prazo estabelecido pelo Tribunal.
Após a análise da defesa, o Ministério Público de Contas emitirá parecer, e somente então o Tribunal de Contas realizará o julgamento do mérito das contas. Até essa etapa, não há decisão definitiva sobre eventual responsabilidade do ex-prefeito.
Independentemente do desfecho jurídico, o episódio passa a integrar o debate político de Rondônia e tende a ser explorado durante a pré-campanha eleitoral. Em uma disputa para o Governo do Estado, temas ligados à responsabilidade fiscal, transparência e gestão das contas públicas costumam ganhar relevância e influenciar a percepção do eleitorado sobre os pré-candidatos.
Fonte: Redaçao PORTAL364