"VENDILHÕES DO TEMPLO - Alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, o Banco Digimais passou para o controle de Edir Macedo em 2020."



PORTO VELH RO - O Banco Digimais é alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo as investigações, a instituição adotou práticas financeiras temerárias, similares às do extinto Banco Master. Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e dono do Grupo Record, assumiu o controle total em 2020, nomeando João Luiz Urbaneja para a gestão. A estratégia de expansão focou no financiamento de veículos, com forte captação via CDBs prometendo retornos acima da média. No entanto, a concessão de crédito a clientes sem condições financeiras gerou uma explosão de inadimplência, que saltou de 8% em 2020 para 43% dois anos depois, mantendo-se na casa dos 30% em 2023.

Operação Miragem: Banco Digimais sob suspeita de fraudes e má gestão

O Banco Digimais, instituição controlada pelo empresário e bispo Edir Macedo, tornou-se o centro de uma investigação da Polícia Federal após a deflagração da "Operação Miragem". O banco, que nasceu como Banco Renner em 1981 e foi integrado aos negócios do Grupo Record a partir de 2013, enfrenta agora graves acusações de fraudes contábeis e gestão temerária.

Crescimento agressivo e inadimplência

A transição definitiva para o controle do Grupo Record em 2020 marcou o início de uma mudança radical na estratégia do banco, que foi rebatizado para Digimais. A instituição buscou um crescimento acelerado no segmento de financiamento de veículos, financiando essa expansão através da venda de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores às do mercado.

Entretanto, as investigações apontam que esse crescimento foi sustentado por uma política de crédito permissiva. Ao conceder empréstimos a indivíduos sem capacidade de pagamento, o banco viu seu índice de inadimplência disparar: o que era um índice de 8% em 2020 saltou para 43% em 2022.

Semelhanças com o Banco Master

Delegados da Polícia Federal destacaram a semelhança entre o *modus operandi* do Digimais e o do extinto Banco Master. As suspeitas que motivaram a operação giram em torno da venda de carteiras de crédito sem lastro real e irregularidades severas nos balanços da instituição.

"Os casos Master e Digimais seguem o mesmo padrão. Usam as próprias regras do sistema financeiro para cometer fraudes", afirmou Camila Motta Luiz de Souza, sócia do escritório Motta Luiz Advocacia, reforçando 
o clima de preocupação no mercado financeiro


A Polícia Federal segue em busca de provas que confirmem as fraudes contábeis, em um desdobramento que pode ter impactos significativos sobre a estrutura de negócios vinculada ao fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. O caso traz à tona, novamente, o debate sobre a regulação e o monitoramento de instituições financeiras que operam com produtos de alta rentabilidade e risco elevado sob a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Fonte Portal364
Postagem Anterior Próxima Postagem