Lobby, troca de favores e persiguiçao: Os bastidores ocultos do poder na policia civil de RO.
PORTO VELHO (RO) – Um vazamento estarrecedor traz à tona as engrenagens ocultas e o "jogo sujo" operado nos bastidores da política rondoniense. Diálogos gravados expõem a ingerência direta de detentores de mandato e articulações políticas dentro da estrutura do Governo Marcos Rocha, revelando como a Polícia Civil e cargos de direção-geral estariam sendo utilizados como moeda de troca e ferramenta de retaliação contra adversários.
A Confissão do Aparelhamento
No áudio revelado, o parlamentar citado como "Deputado Ribeiro" (referido também como "RB") admite expressamente que atuou diretamente na derrubada e na nomeação da alta cúpula da Polícia Civil de Rondônia. O parlamentar celebra a demissão do antigo diretor-geral, Samir, e assume a paternidade da indicação do novo comandante do órgão, o delegado Jeremias.
"Jeremias é meu. É minha a indicação", cravou o parlamentar no áudio gravado durante a conversa.
A gravação detalha um suposto acordo costurado entre a classe política e o novo chefe da Polícia Civil. Segundo o deputado, a nomeação do diretor-geral esteve condicionada a interferências diretas na gestão de pessoal — como o atendimento a pedidos de transferência de policiais aliados e a nomeação de apadrinhados em institutos da Polícia — além do direcionamento do aparelho policial e investigativo contra alvos políticos predeterminados.
"Apertar o Cerco": Aparelhamento para Perseguir Opositores
O ponto mais alarmante da conversa expõe o uso da maquina pública para neutralizar rivais. O deputado deixa claro qual teria sido o "pacto" estabelecido com a nova direção-geral da Polícia Civil:
"Esse foi o acordo que a gente fez: Jeremias, eu quero que você cuide dos policiais, aceite as minhas transferências e coloque a Ana Cláudia no instituto. E quero que você prenda mesmo, faça pra foder mesmo os caras que são vagabundos, que é o Júnior, o Sérgio e o Macela".
O diálogo escancara que o enfraquecimento e a perseguição a nomes como Júnior Gonçalves e Sérgio Gonçalves (vice-governador) não seriam fruto de operações policiais isentas, mas sim de uma "luta silenciosa" e calculada para mover as peças no tabuleiro do poder estadual.
Reação e Denúncia de Policial Civil e Candidato
O vazamento do áudio gerou forte reação entre servidores da segurança pública e lideranças políticas locais. Wagner Pereira Sodré (conhecido como "Waguinho PC"), policial civil lotado em Cacoal, empresário e candidato a deputado estadual pelo Partido NOVO, utilizou grupos de comunicação da corporação para denunciar o esquema.
Ao compartilhar o conteúdo do áudio com colegas de farda, Waguinho PC expôs a indignação da categoria contra a ingerência política na instituição e cobrou transparência:
"Esse é o deputado que diz trocar diretor geral para que aceite transferência de policiais, conforme as palavras dele próprio. E diz pretender informar amigos políticos usando a estrutura do estado. Põe pra cima que não tenho medo. Não me me ataquem que não tô atacando ninguém. (...) Se virem me atacar vai ter muita merda no ventilador", alertou o policial e candidato.
Crise de Institucionalidade
As denúncias lançam uma grave sombra sobre a idoneidade das trocas de comando efetuadas na Segurança Pública de Rondônia sob a gestão de Marcos Rocha. A gravação reforça suspeitas de que o aparelho de investigação policial do Estado pode estar servindo como braço armado de perseguição partidária e favorecimento pessoal.
Até o fechamento desta edição, o Governo do Estado, a Direção-Geral da Polícia Civil e o parlamentar citado não se pronunciaram formalmente sobre o teor dos áudios e sobre os acordos revelados na gravação. O espaço permanece aberto para manifestação de todas as partes envolvidas.
VEJA VIDEO E COMENTARIOS JORNALISTA RUBENS COUTINHO
Fonte: Redaçao Site Portal364
