Escândalo Master: Movimentações financeiras sob suspeita geram primeira baixa política em Rondônia

PORTO VELHO RO - O caso, que envolve o ex-ministro Ciro Nogueira e a ex-deputada Jaqueline Cassol, ganha novos contornos após relatórios do Coaf apontarem transações milionárias sem origem comprovada.

O cenário político de Rondônia foi abalado nesta quinta-feira (18) com a revelação de novos desdobramentos do chamado "Caso Master". Em reportagem publicada pelo portal Metrópoles, assinada pela colunista Andreza Matais, documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam indícios de movimentações financeiras atípicas envolvendo figuras de destaque no estado.

A denúncia: O "balcão de negócios"

As investigações focam em transações vultosas, muitas vezes superando a casa dos milhões, que carecem de registros claros de origem. Para o advogado e comentarista Caetano Neto, o caso reflete um padrão crônico no Congresso Nacional. "O Congresso é um 'balcão de negócios' por excelência. Encontrar um 'não' corrupto é uma missão quase impossível", avalia Neto.

O Coaf, responsável por monitorar operações financeiras suspeitas, identificou que recursos sem lastro comprovado circularam em esquemas que levantam suspeitas de corrupção e outras irregularidades.

Jaqueline Cassol no epicentro

O epicentro do caso em Rondônia atinge diretamente a ex-deputada federal Jaqueline Cassol (PSD), atualmente assessora especial na Casa Civil do Governo de Rondônia. Os relatórios do Coaf apontam a ex-parlamentar como remetente de valores para contas vinculadas a empresas da família do senador Ciro Nogueira (PP).

Contexto: A ruptura política de 2022

A crise remete à turbulenta eleição de 2022. Na ocasião, Jaqueline Cassol assumiu o comando do Progressistas (PP) em Rondônia, retirando a legenda das mãos de seu irmão, o ex-governador Ivo Cassol. O movimento foi visto por aliados como uma traição ao mentor político, visando um projeto de poder próprio.

Naquele pleito, o senador Ciro Nogueira, então presidente nacional do PP, teria injetado mais de R$ 10 milhões do Fundo Eleitoral na candidatura de Jaqueline ao Senado. A promessa era de uma estrutura robusta que elegeria ao menos um deputado federal, objetivo que não foi alcançado. O resultado foi a derrota de Jaqueline e de seu marido, Luiz Paulo, além da desarticulação do partido no estado. Até o momento, a prestação de contas da campanha de 2022 no TRE-RO ainda não foi aprovada.

Fonte: Advogado e ativista político Dr Caetano Neto


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