PORTO VELHO RO - Uma nova operação da Polícia Federal (PF) coloca o Partido Liberal (PL) no centro de uma investigação sobre o direcionamento irregular de verbas públicas. O alvo principal é Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, acusado de comandar um esquema para manipular o destino de R$ 119 milhões em emendas parlamentares.
Como funcionava o suposto esquema?
De acordo com as investigações da PF, Valdemar teria direcionado 21 emendas parlamentares — um ato ilegal, já que, por não ser parlamentar, ele não possui prerrogativa para indicar o destino desses recursos.
Para tentar esconder a origem do direcionamento, o esquema contaria com:
■ Planilhas de controle: A PF encontrou documentos que organizavam as indicações das verbas.
■ Falsos parlamentares: Nomes de parlamentares seriam usados para "mascarar" que as emendas, na verdade, partiam de Valdemar.
■ Comunicações internas: Em mensagens interceptadas, assessoras chegaram a citar abertamente que determinadas emendas eram “do Valdemar” e que não aceitariam alterações.
Além de Valdemar, a PF aponta a participação de Nara Brum (assessora do PL) e de outros nomes ligados ao partido e ao deputado Arthur Lira.
As medidas determinadas
O ministro Flávio Dino, responsável pelo caso no Supremo Tribunal Federal (STF), tomou medidas imediatas:
1 ▪︎ Bloqueio de bens: Determinou o congelamento de valores equivalentes aos R$ 119 milhões nas contas do investigado.
2 ▪︎ Suspensão de gastos: A execução das despesas públicas ligadas a essas emendas foi suspensa.
3 ▪︎ Prazo para a Câmara: O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, tem 10 dias para entregar toda a documentação que comprove como esses valores tramitaram internamente.
Cenário político
O momento é delicado. A poucos meses das eleições, o caso traz desgaste ao PL e pode impactar a popularidade de figuras de destaque da sigla, como o senador Flávio Bolsonaro.
Valdemar Costa Neto, uma das figuras mais experientes da política nacional, tem um histórico controverso: ele já exerceu seis mandatos como deputado e foi condenado no escândalo do Mensalão em 2012, sendo solto em 2016.
O que diz a defesa?
Os advogados de Valdemar Costa Neto contestaram a decisão. Em nota, a defesa afirmou que a ação judicial se baseia em "premissas frágeis" e ressaltou que a própria Procuradoria-Geral da República (PGR) teria se manifestado contra a aplicação dessas medidas cautelares contra o presidente do partido.
Esta é uma notícia em desenvolvimento. Seguiremos acompanhando os desdobramentos desta investigação.
